domingo, 8 de julho de 2007

EDIÇÃO 16 - DE 10 A 17 DE JULHO

Editorial - Adeus, Inconstrução

“Adeus, NoMínimo”, essa foi a manchete de capa do caderno D+ do O Diário do Norte do Paraná do último sábado dia 30. Fabio Massali, que assina a matéria, começa seu texto assim: “É estranho escrever sobre um moribundo em seu último dia de vida. Normalmente no jornalismo a notícia é a morte em si, depois de consumada, não a perspectiva de seu acontecimento inerente, embora inadiável e com data marcada.” Assim, aproveitamos a deixa para informar aos leitores do blog Inconstrução que este é o ultimo editorial publicado pelos alunos do 2º ano de jornalismo matutino. Depois do recesso os acadêmicos ganharam novo espaço, o site Folha Acadêmica, e assim o Inconstrução terá concretizado seu papel de “construir” profissionais humanos e capacitados.
Não há como comparar o adeus de NoMínimo com o fim de Inconstrução, afinal nomes como Ivan Nishi, Lívia Miranda, Alexandre Gaioto, Aline Bueno, Lizandra Cortez Gomes, Thiago Soares, Walter Pereira... diante de Zuenir Ventura, Ricardo Kotscho, Villas Boas Corrêa, Guilherme Fiúza e Tutty Vasques não podem ocupar o mesmo parágrafo. Contudo, sabemos que este foi, e será, o primeiro meio em que todos nos futuros jornalistas demos nossos primeiro passos. Quem sabe para um dia ser citado em alguma outra matéria, de outro blog qualquer, como grande nome do jornalismo, e mesmo que quem leia jamais saiba quem é você.
“O nome é uma brincadeira com a palavra construção - a construção do texto, a construção do profissional, a construção do jornalista, assim como a desconstrução (in no sentido de negação) dos próprios mitos, histórias e fatos que cercam e existem dentro da cidade de Maringá.” Esta é a definição que encontramos logo aqui ao lado sobre o blog, e certamente será lembrado por todos aqueles que contribuíram para que semanalmente notícias, críticas, entrevistas, reportagens, editoriais, artigos, fotolegendas e crônicas fossem publicadas, apresentando um jornalismo criativo e inovador, para não dizer amador e inconseqüente.
O Inconstrução sai do ar, não por motivos econômicos, afinal só quem posta o Blog a meia – noite de domingo sabe que não é por dinheiro que se trabalha, ou não? De qualquer forma, ganhamos agora novo espaço: a “Folha Acadêmica”, que após o período de recesso vai ser o novo espaço de publicação sobre fatos e eventos de Maringá e do mundo a partir da perspectiva jovem e autentica dos alunos de 2º ano de jornalismo do Cesumar. Assim, depois de 16 edições, algumas discussões, muitas indagações e ainda inúmeras questões sem respostas, chega hora de iniciar uma nova fase. E que possamos continuar escrevendo com liberdade e criatividade, levando conosco o ideal de “desconstrução” para os futuros projetos. Adeus, Inconstrução. (Ivan Nishi)

Crônica - Adeus Cinturinha de Pilão

Maldita matéria da Veja! Se eu não tivesse gostado tanto, juro que processava. É, processo por influência ao vício.
Estava tudo lá exposto, falando que era levinho, divertido, você pode ser quem, ou o que você quiser.
Droga, agora passo tardes inteiras alimentando esse vício. Mas é porque fica tudo tão colorido. Todo mundo é tão bonito, os cabelos parecem sedosos, as roupas parecem ter neon, e por incrível que pareça até posso voar.
Conheci um mundo onde as pessoas são felizes, se você quer algum dinheiro é só dançar, mas não que você precise realmente dele. E o melhor de tudo, é que você nem sente fome, nem sono, nem tem vontade de ir ao banheiro. E também podemos viajar léguas sem sair do lugar, em um único dia, fui para a Bahia, Nova York e uma tal de Pay Hippie.
Se eu pudesse ficaria nesse mundo a vida inteira. Não pararia nenhum um pouquinho. Mas ai logo lembro, “Poxa, amanhã tem prova de rádio e eu ainda não estudei nada”. Mas a minha obsessão por esse mundo não se abala, pois logo depois daquele momento de responsabilidade eu penso “Mas ah, ta tão legal assim, mais tarde eu estudo”. Claro que esse ‘mais tarde’ nunca chega, até a hora de fazer a prova e me dar mal.
Se tem uma coisa que me arrependo na vida, foi ter aberto a revista bem naquela página idiota com a maldita matéria. Na matéria mostrava pessoas que eram usuários do meu objeto de vício. Eram pessoas bem sucedidas, adultos, com caras sérias, como ia imaginar que isso ia acontecer comigo?! E em nenhum momento foi dito que eles eram viciados. Tá, até falava que usavam frequentemente, mas repito, em nenhum momento foi dito a palavra vício, no qual estado me encontro agora.
Claro que agora o que me resta é me tratar. Como?! Também não sei. Às vezes penso que será impossível me desligar um minuto do que tem me trazido tanta diversão, tanta felicidade.
Acho que vou pedir ajuda ao meu irmão. Ele já se livrou de várias dessas. Tenho que recorrer a alguém com experiência, pois sozinha nunca vou me desconectar. Mas só de pensar em abandonar meu avatar, meu coração fica partido.
Com meu avatar já conheci gente da Suíça, gente da Grécia, gente da Tailândia, e lugares que com certeza nunca vou conhecer na vida. E também nunca vou atingir a cinturinha de pilão que eu mesma fiz. Com certeza nunca vou ter uma roupa com asas. E muito menos mais de 1 metro e 70 centímetros.
O que mais me deixaria feliz em trazer para a minha “first life” seria não precisar trabalhar, sentar em um banquinho e ganhar 15 liddens por hora. Ou quem sabe até me teletransportar para qualquer lugar do mundo “Ah, enjoei do Brasil, vou para a China”.
Maldito Second Life! Vou ter que te deletar do meu computador. Espero nunca encontrar nenhuma lan house com ele instalado.
Adeus Dilia Tripsa. (Lizandra Cortez Gomes)

Crítica - Assuntos delicados

Assunto de Meninas (2001) é um filme que trata de um assunto polêmico, porém de uma forma delicada, frágil e forte ao mesmo tempo. O longa é uma produção canadense dirigido pela suíça Léa Pool, que conta com um elenco de jovens estrelas, entre elas está Mischa Barton, a Marissa da série The O.C.

O filme aborda o homossexualismo de uma forma sutil, mostrando ao público a história de amor de duas estudantes de um colégio interno que sofrem ao não poderem ficar juntas por causa do preconceito.

O desenrolar da história se dá quando Mary, personagem de Mischa Barton, é levada pelo pai para estudar em um colégio interno só para meninas, onde logo conhece Tory (Jéssica Pare) e Paulie (Piper Perabo), suas colegas de quarto. Rapidamente, Mary percebe que a relação das duas jovens vai muito além do que uma amizade e observa, sem se envolver, o romance de suas colegas.

Com o tempo, a história de amor das duas protagonistas vai sendo consumida pelo preconceito e Tory, para não decepcionar a família, abre mão de seu amor e começa a namorar um garoto.

De coração partido, a rebelde Paulie surta e entra num processo de destruição e autodestruição. Personagem este que foi muito bem interpretado por Perabo, com falas intensas, dramáticas, misteriosas e cheias de simbolismos.

Léa Pool conseguiu fazer um romance envolvente. Tratou de um assunto polêmico de maneira doce, porém sem cair no melodrama. O que talvez tenha sido o motivo da película ter ganho o prêmio de melhor filme no Festival de Estocolmo.

Além das grandes atuações, Assunto de Meninas possui um excelente enredo, cenário, fotografia e trilha sonora.

O final do filme é ótimo, toca o expectador como poucos filmes conseguem fazer. É bonito e dramático sem ser clichê. (Fernanda Inocente)

Notícia - Casa de show gera polêmica entre moradores

Inauguração é vista com bons olhos pelos vizinhos mais jovens do bairro, já os mais velhos, temem barulho e algazarra



A casa de show “Baile Caipirão Country Clube”, inaugurada no dia 6 de julho na Avenida Morangueira, no Jardim Alvorada, é motivo de preocupação de alguns moradores do bairro. Enquanto as famílias que moram na redondeza temem tumulto e desordem no bairro, os mais jovens ficaram entusiasmados com a nova opção de lazer.

Telma Regina dos Santos, moradora mais próxima dessa casa de show, teme as conseqüências da nova opção de lazer do bairro. “Tudo aqui é muito tranqüilo, e essa casa de show é bem em frente à minha casa, vai gerar muita bagunça. Tenho certeza que vai ter muita gente bêbada, que vai virar a madrugada lá e ainda estacionar o carro bem na porta de casa”, salientou. “Tinha que ser perto de algo que não é residencial... mas eu andei conversando com alguns vizinhos e nós estamos até pensando em fazer um abaixo assinado, porque é complicado pra gente que trabalha ficar ouvindo barulho a noite inteira”.

Everton Teixeira, outro morador do bairro, é da mesma opinião que Telma. “Eu sou a favor de progresso e essa casa de show talvez seja uma evolução para o bairro, mas o problema é o barulho. Show até tarde vai ser problema para os moradores, principalmente porque temos que trabalhar no outro dia cedo e essa situação acaba se tornando complicada”, argumentou.

Segundo a moradora Iracy Garcia, caso a casa de show cause transtornos, ela terá que tomar medidas a respeito. “Não gosto de ser contra as pessoas, aquela senhora chata que é contra tudo, mas se houver muito barulho e começar a atrapalhar nossa tranqüilidade eu terei que fazer uso do abaixo assinado”, disse.

JUVENTUDE

Já os vizinhos mais jovens do lugar, acham a abertura da casa de show algo maravilhoso. Segundo Roger Chavier de Souza, 20, ele não precisará ir até o centro da cidade para se divertir, pois a diversão estará bem na esquina da sua casa. “Essa casa de show vai ser uma boa, até porque os vizinhos não vão poder falar que só nós que ouvimos música alta.”, afirmou.

William Oliveira da Silva, 20, é da mesma opinião. “O que mais tem aqui no bairro são jovens e todos eles estão adorando a abertura dessa casa de show, o pessoal curte mais dance, black, mas country também é bom”.

SEGURANÇA

Segundo Ednalva, os moradores não precisam se preocupar com o barulho e a bagunça da casa de show. “Providenciamos tudo para que os vizinhos que moram aqui perto não se incomodem, pois o Caipirão Country terá tratamento acústico e por isso, não haverá barulho”, explicou.

A casa de show estilo country, tem capacidade para 800 pessoas e na estréia contou com a presença das bandas Elton e Thiago e a San - Marini. “Com o tempo pretendemos trazer artistas mais famosos. Casa de show desse gênero é mais conhecida em São Paulo, em Maringá ainda não tem... Por isso, resolvi trazer para essa cidade. Essa casa de show é algo bem famíliar, uma busca antiga e estou feliz por finalmente agora estar realizando esse projeto”, disse Ednalva.

Segundo a proprietária, o “Baile Caipirão Country Clube” é situado em um lugar que está carente de casas de shows e acredita que a mesma irá trazer-lhe sorte. “A pouco tempo fiquei sabendo que há 15 anos atrás funcionava uma casa de show aqui e que ela fez muito sucesso. Faz tempo que estou procurando um lugar que tenha esse estilo country, pensei até em um barracão, mas este lugar é o que mais se enquadrou às minhas pretensões”, afirmou Ednalva. (Fabiane de Souza)

Notícia - A abertura do comércio aos domingos gera polêmica em Maringá

A discussão sobre a abertura do comércio aos domingos, em Maringá, vem gerando polêmica. O presidente da associação comercial e industrial de Maringá (ACIM), Carlos Tavares, é favorável que a decisão de abrir, ou não, aos domingos, seja do próprio comerciante.

Já os lojistas de shoppings centers, que sempre abriram aos domingo, estão divididos. Os shoppings, que possuem sindicato próprio, decidiram tomar essa decisão de abrir aos domingos porque perceberam o potencial de vendas que o dia teria, já que o comércio não abre.

Com as lojas de rua abrindo, alguns lojistas se sentem prejudicados. "Essa possível aprovação enfraquece o comércio nos shoppings, pois, sempre houve a referência de ir ao shopping aos domingos. Com o comércio de rua também abrindo, não haverá mais esse diferencial", afirma Daniela Martinez, funcionária da loja Royal do Avenida Center.

Já o diretor do Shopping Cidade, Alício Malavazi, acredita que o comércio funcionando aos domingos fortalece todos os setores. "Com esse diferencial, pessoas de toda a região estariam vindo para Maringá, isso aqueceria a economia e todos ganham".

Malavazi ainda garante que para a concorrência com as lojas de rua não preocupa. "Mesmo que a pessoas prefiram comprar no centro da cidade, com certeza ela acaba indo visitar os shoppings, nem que seja apenas pra olhar as vitrines ou tomar um sorvete. Isso já é muito importante, pois se o estabelecimento oferecer tudo que ela quer e precisa, ela certamente vai voltar".

Em Maringá, essa questão atingiu seu clímax quando o supermercado BIG decidiu abrir aos domingos, mesmo pagando uma multa de dez mil reais por cada final de semana. Em seguida, os supermercados São Francisco e Cidade Canção também aderiram à prática. A discussão é longa, pois, em outras cidades do Paraná, como Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu, é normal alguns estabelecimentos abrirem aos domingos. (Natuza de Oliveira)

segunda-feira, 2 de julho de 2007

EDIÇÃO 15 - DE 3 A 10 DE JULHO

Editorial - Cristo Redentor: uma maravilha?

O editorial desta edição é sobre a indicação do Cristo Redentor na eleição para as novas sete maravilhas do mundo. Vale lembrar que as votações se enceram no próximo dia 6.

Quem conhece a cidade do Rio de Janeiro sabe que um dos seus cartões postais é o famoso Cristo Redentor. A beleza do monumento disfarça a realidade social existente na “cidade maravilhosa”.

O Cristo Redentor aparece como um forte candidato nesta eleição. A realidade social do Rio de Janeiro acaba sendo maquiada por cartões postais como Cristo Redentor, Corcovado e as “maravilhosas” praias.

Praias estas que volta e meia sofrem arrastões que acabam levando tudo que tem pela frente. Mesmo assim, a imagem das praias cariocas que é passada aos turistas é aquela cheia de garotas bonitas, de biquínis minúsculos, que chamam a atenção por onde passam.

A eleição do Cristo pode aumentar ainda mais os casos de seqüestro e de turismo sexual, outra prática bastante comum não só no Rio de Janeiro, mas em todas as cidades conhecidas fora do país.

Em um filme produzido por norte-americanos, a realidade mostrada era a de que só existiam macacos, seqüestros e o caos da cidade Maravilhosa.

Será que vale a pena mostrar belos monumentos e esconder a verdade existente por trás deles? Fica aí o recado e boa leitura para todos.

(Mayara Gasparoto Mendes).

Crítica - É pura picaretagem

Muita propaganda e sangue derramado. Poucas informações que interessam ao telespectador. Infelizmente este é o cenário que caracteriza o “TV em Ação” que vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 19h00 as 20h30 pela TV Carajás, canal 2, em Campo Mourão. Analisei o programa e cheguei a seguinte conclusão: os apresentadores não sabem ou ignoram a ética no jornalismo e não são transparentes com o que noticiam.

É uma pena. Pois isso para o jornalismo é um pecado e denigre não só a imagem da cidade como também a profissão jornalística e ainda os próprios apresentadores. A falta de respeito ao telespectador é clara quando as matérias policiais ocupam a tela. O sensacionalismo “come” solto.

Dia desses, acompanhei uma matéria em que um motorista colidiu seu veículo e morreu preso nas ferragens. Adivinhem! A equipe de reportagem filmou o sujeito todo “arrebentado” e mandou a imagem para o ar. Pobre de quem viu a cena. Se estivesse jantando então, por certo largaria o prato de lado. Então lanço três perguntas: Como fica a família dessa vítima ao ver tal cena? Como ficam as crianças que estão assistindo aquele canal neste horário? E se fosse um familiar de um dos apresentadores, a imagem iria ao ar?

Estas são perguntas que os próprios apresentadores do programa podem responder. O que posso dizer, é que tal atitude para uns, pode não significar nada e ainda render ibope para a emissora. Em contra-partida, para outros, dói muito. Além dessa, várias outras matérias do mesmo nível vão ao ar diariamente. Como sabemos o sensacionalismo vende, mas chegar a tal ponto de exibir cadáveres no ar é forçado demais.

Saindo do cenário sangrento, parto agora para o da propaganda. O programa é dividido em blocos. Se somarmos matérias e anúncios, com certeza o tempo em que eles fazem propaganda dentro do programa, é muito maior do que o que noticiam. A mídia depende também de anúncios para se manter é claro, mas chegar a tal ponto tira a paciência de qualquer telespectador. É chato e incomoda. Ainda mais se for daqueles anúncios em que o representante da empresa vai ao ar para falar sobre seu produto. Só de pensar dá nos nervos.

Acham que terminei por aí né?! Não, não! Eu não poderia deixar de comentar sobre os erros de português que vão ao ar, é ridículo. Eles (os apresentadores e toda equipe de reportagem), são verdadeiros assassinos da língua portuguesa. Os erros são tão extravagantes que nos fazem rir. O plural não existe e as gafes têm para dar e vender. Gente! Eu não tenho nada contra este programa nem aos seus apresentadores e equipe. Porém, acredito que para fazer um programa de televisão, ainda mais jornalístico, não é para qualquer um: Tem que saber o que faz. Um programa jornalístico não é feito por fulano ou cicrano e sim por um jornalista que deve estar apto à função. Caso contrário não sei se dá vontade de rir ou chorar, porque só sai besteira.

É claro que um programa de televisão por mais que tenha suas qualidades negativas, tem também o seu lado positivo. É o caso deste programa. Tem quadros em que pessoas ganham doações, encontram parentes, pedem ajuda, enfim uma pequena fatia que se salva.

Digo todas essas coisas porque as vejo no dia-a-dia. Vejo-as não por serem boas ou aproveitáveis e sim para refletir e avaliar. Refletir no sentido de que, se eu ou você que está lendo esse texto, não tomar providências como: criticar, exigir profissionalismo, ética profissional, seriedade e transparência, o mercado não vai passar de uma verdadeira picaretagem. Avaliando porque se, eu não souber o que é bom ou o que é ruim, o que está de acordo ou o que precisa melhorar, vou aceitar qualquer coisa que produzirem por aí. (Walter Pereira)

Fotolegenda - O avião do presidente

O avião do ex-presidente Juscelino Kubstchek foi doado a cidade de Araçariguama-SP e, hoje, é um dos pontos de atração da cidade. O monumento está no lugar mais alto da cidade, possibilitando aos visitantes um olhar privilegiado para o horizonte. No momento, o único olhar de paz e calma perto de um avião no Brasil, é esse. Há quase 9 meses, os aeroportos brasileiros se tornaram um verdadeiro caos. As pessoas vivem sem o olhar do horizonte. São horas de espera, vôos desmarcados, compromissos atrasados. A única coisa que se sabe definir é que a crise aérea começou com o acidente da Gol, que matou 156 pessoas. (Amanda Amaral)

Fotolegenda- Estudantes fazem Seminário de Jornalismo

Os estudantes do 2º ano de jornalismo do Centro Universitário de Maringá (CESUMAR) realizaram um seminário sobre temas que envolvam a teoria da Folkcomunicação. O evento, que é apenas para a turma, começou no último dia 21 e foi até 02 de julho. A teoria da Folkcomunicação foi fundada pelo brasileiro Luiz Beltrão, que fez um dos primeiros estudos comunicacionais no Brasil. Folkcomunicação é a comunicação que se dá por meio do folclore, ou seja, o estudo do folclore nos meios de comunicação de massa. Nesse seminário cada estudante individualmente apresenta seu tema para a classe e fala sobre o trabalho, explicando toda a sua pesquisa ou análise. O trabalho é composto por cenários que represente a pesquisa, vídeos, slides e músicas sobre temas como Folia de Reis, da aluna Fabiane de Souza; o Folclore em si, de Walter Pereira e a figura de Mercedes Sosa, do aluno Rodrigo Pessin (foto). (Ana Cláudia Covo)

Matéria - Rock maringaense vira romance

Foto Alexandre Gaioto“‘Três acordes’ se passa em Maringá porque é a única cidade que eu conheço”, ironiza Nelson Alexandre

Fã de Alan Poe, Charles Bukowski, Henry Miller e Rubem Fonseca, Nelson Alexandre, 31, é mais do que um talentoso escritor de fim - de - semana.

Aos 20 anos, publicava junto com colegas da universidade, poemas no panfleto comunista “Movimento 14 de junho”. Ainda na juventude, a busca pela autenticidade levou Alexandre a atear fogo em seus escritos. “Muita coisa já foi queimada no meu quintal. Muita poesia... A minha maior preocupação era a originalidade, era encontrar a minha voz”

Hoje, Nelson Alexandre parece ter encontrado, finalmente, a sua voz. No ano passado, foi um dos treze paranaenses a ter seu material publicado no livro dos vencedores do Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio. O conto “Lance estranho” revela um Nelson Alexandre que não escreve, vomita. Sua literatura punk, crua e intensa rendeu o merecido reconhecimento.

Seus dois livros “Space city”, de contos, e “Penas máximas para delitos mínimos”, de poemas, foram enviados recentemente para a editora londrinense AtritoArt, na esperança de que sejam publicados. Em plena ebulição literária, Alexandre prepara seu novo romance “Três acordes sujos”, que segundo o autor, formam “a base do som bruto”.

O romance com pitadas autobiográficas trará no enredo sexo, drogas, e rock and roll, que, para Alexandre, são temas que fazem parte do contexto do rock e não tem como serem desvinculados. “Os nomes dos personagens serão fictícios”, tranqüiliza o autor Sobre a possibilidade de haver alguma morte no livro, devido à esta mistura explosiva, Alexandre responde maliciosamente: “só se for de tesão”.

Os momentos serão “romanceados” relembrando o cenário independente musical de Maringá durante o período de 1993 a 2002, em que bandas como “Os Provetas”, “Anarcofobia”, “Os Desarmônicos” e “The Guavas” debulhavam os três acordes.

“Vai ser um espelho convexo da realidade. Os nomes dos personagens serão fictícios”, garante Alexandre, que não descarta a possibilidade de tentar obter recursos com a Lei de Municipal de Incentivo à Cultura para a publicação, ainda sem data definida. (Alexandre Gaioto)

domingo, 24 de junho de 2007

EDIÇÃO 14 - DE 25 DE JUNHO A 1º DE JULHO

Editorial - Diversidade no Inconstrução

Nesta 14° edição do “Inconstrução”, um dos destaques é uma notícia da Aline Bueno, que fala sobre a repercussão da dança, e de como ela tem crescido. O balé, é uma dança tradicional que exige muito equilíbrio, postura e verticalidade corporal, abre novas portas.
Em Maringá, academias abrem cursos experimentais. Além da dança, exposições e amostras também ganham espaço em Maringá. Sempre acontece exposições no Calil Hadad. Uma delas é a exposição de “Manga” registrada na foto-legenda pela Lizandra Gomes.
A reportagem desta semana foi realizada por Natuza Oliveira, e trata de um tema muito interessante e bem atual, a Campanha do Agasalho. Esta campanha é realizada todos os anos em Maringá. Através dela percebemos o tamanho da solidariedade dos maringaenses, pois a cada ano que passa campanha tem arrecadado mais agasalhos.
O filme “Os 12 Trabalhos” que foi apresentado em Londrina, será criticado por Ivan Nishi. “Os 12 trabalhos”, é dirigido por Ricardo Elias. Conta a história de um jovem recém-saído da Febem, que arruma um emprego como motoboy em São Paulo. Mas em seu período de experiência ele precisa realizar 12 trabalhos pela cidade. (Joyce Camanho)

Começou. Estranho tudo era. Nada tinha um sentido lógico. Nada tinha cor. Como se não fosse real. A primeira impressão que tive foi que estava em um lugar conturbado, tenso. Estresse total. Pessoas com pressa. Até que tudo começou a ter vida. As cores começaram a ficar mais nítidas. Os sons ecoavam mais altos. As pessoas não andavam mais rápido como há instantes atrás, passos lentos tomavam o lugar da correria.

Foi então que percebi que não se tratava de um lugar conturbado, mas sim que eu estava em um gigantesco parque de diversão. Pessoas conversando, dando gargalhadas, muita festa. Bexigas suspensas no ar. Tudo muito colorido, muito animado. A primavera estava se aproximando e o cenário que as flores decoravam estava propício à tamanha felicidade.

Resolvi então caminhar, achar alguém que conhecia. Caminhei. O espírito de alegria e fraternidade tomava conta do meu “Eu”. Brinquei com o palhaço. Chupei sorvete. Comi algodão doce. Caminhei mais. Senti como se tivesse voltado aos 5 anos de idade.

Tudo era tão mágico, tão surpreendente, coisas que nunca tinha dado valor, tornavam-se essencial. Como se todas as coisas estavam ali... a minha espera. Mas por um momento tudo paralisou. Meu pensamento e olhar se congelaram ao dar de cara com a coisa mais fantástica que tinha visto naquele parque.

Era extremamente grande, colorida, aquela multidão em volta vibrando, com os braços e olhos voltados para cima. “Como não tinha dado valor a uma coisa tão maravilhosa antes”, pensei. Quando era pequeno não via muita graça naquilo. Mas o clima que estava em sua volta, tudo, fez com que esse pensamento voasse, fosse para muito longe. Estava num estado de total liberdade. Estava boba. De boca aberta.

De repente um barulho irritante começou. Não parava mais. Era contínuo. Foi tirando a música e tomando conta de tudo. Os sons foram acabando. As risadas foram perdendo seu eco. E o insuportável barulho chegando cada vez perto. Até que me deu conta de que já estava na hora de acordar. Deixar a magia para um outro dia. Pois agora tinha um longo dia pela frente. Monotonia. Cansaço. Preocupação. Tudo de novo.

Mas uma coisa seria diferente: minha percepção em determinadas coisas tomava novos contornos, novos olhares... nova vida. (Mariana Grossi)

Crítica - Vida sobre duas rodas

Um jovem recém saído da Febem arruma emprego como motoboy em São Paulo. Mas em período de experiência ele precisa realizar 12 trabalhos pela cidade. Heracles, protagonista do segundo filme de Ricardo Elias, concentra todas as histórias a que um motoboy pode enfrentar em sua, muitas vezes, curta carreira. O perigo e a adrenalina fazem parte do cotidiano desses heróis da vida moderna. Afinal, nenhuma grande cidade brasileira pode sobreviver sem as pizzas e os formulários necessários para o desenvolvimento social. O filme do cineasta paulistano retrata uma São Paulo vista de um ângulo diferente para aqueles que estão acostumados ao conforto do ar-condicionado dos 4x4.

O documentário “Motoboys Vida – Loca”, de Caíto Ortiz, lançado em 2004, trata do mesmo assunto que “Os 12 trabalhos”, o retrato de uma classe que enfrenta situações desumanas de trabalho e ao mesmo tempo consolida-se como parte integrante das grandes cidades brasileiras. Os motoboys Heracles e Jonas do longa metragem de ficção, contam um pouco do cotidiano desses grandes inimigos dos carros, que independentemente de quem tenha razão nesta guerra diária, têm de coexistir para que a metrópole não pare. O que nos leva a perceber que nessa guerra o lado mais fraco tem duas rodas.

O filme de Ricardo Elias participou de diversos festivais pelo país e no exterior e ganhou diversos prêmios dentre eles ganhou o prêmio de 3º Melhor Filme no Festival de Havana; ganhou 5 prêmios no Cine PE - Festival do Audiovisual, nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Ator (Sidney Santiago), Melhor Ator Coadjuvante (Flávio Bauraqui), Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora e ainda o prêmio de melhor ator para Sidney Santiago(Heracles) no Festival do Rio 2006.

Portanto, uma ótima oportunidade para quando o filme chegar às locadoras, pois apesar de estar sendo exibido em outras cidades, dificilmente o longa vai chegar aos cinemas maringaenses. Assim como inúmeros outros trabalhos do cinema nacional que trazem a tona questões de interesse público, discutindo e acrescentando novas formas de pensar os problemas da sociedade. E, com a atual discussão na câmara de vereadores do município de Maringá a respeito da legalização do serviço de “Motoboys”, permanece a discussão: a importância da cultura e seu papel dentro da sociedade. (Ivan Nishi)

Notícia - “Velhinhos” precisam de mais atenção

Grande parte dos idosos do Lar dos Velhinhos afirmam que estão no asilo, por não quererem incomodar seus familiares


Fabiane de Souza

Sem nada para fazer e ninguém para conversar, “velhinhos” ficam horas sentados


Conformismo e solidão. Estas são as palavras que simplificam a descrição dos idosos do Lar dos Velhinhos de Maringá. Lá, eles são calmos e conformados, têm como distração diária a conversa e os programas televisivos. Enquanto algumas senhoras costuram, outros tentam se distrair conforme podem. No Lar, um dia da semana é estipulado para que eles saiam, sempre às quintas - feiras das 9hs às 10hs. As visitas são aos domingos e feriados das 14hs às 16hs.

Animada

Laurentina de Oliveira, 70, está no asilo há três anos. Laurentina é natural de São José dos Campos, casou-se muito jovem, teve três filhos e acabou se mudando para Jacarezinho, na casa da sogra.

Devido à falta de emprego e em busca de novas oportunidades, ela e seu esposo vieram tentar a sorte em Maringá, deixando para trás seus filhos com a sogra. Os anos se passaram e Laurentina sofria muito ao lado do marido, não devido às dificuldades financeiras, mas com o alcoolismo. “Ele judiava muito de mim, me batia sempre que lhe dava vontade. Não agüentava mais aquela vida... então larguei dele e arrumei outro homem”, disse.

Dali alguns anos, Laurentina teve notícias de seus filhos e sofreu muito ao saber que dois deles haviam falecido. “Foi um choque quando soube que meus filhos queridos tinham morrido. Só sobrou o meu Jair. Deixei ele aos sete anos na casa de minha sogra e nunca mais o vi”, lamentou.

Laurentina passou a ter uma vida nova com o seu novo companheiro. Vieram à Maringá e pagavam aluguel de uma casa próxima à Catedral. “Depois de seis anos casada, meu marido veio a falecer de câncer. Não tinha como continuar pagando o aluguel. Então um padre me ajudou me trazendo para este asilo”, argumentou. “Todos os meus familiares estão bem, com a vida ganha. O dinheiro que eles têm dá para viver bem e ainda sobra, mas eu não quero o dinheiro deles, estou bem assim, só falta me acostumar com o asilo, pois faz pouco tempo que estou aqui”.

Laurentina é uma senhora bastante disposta. Tem uma tatuagem em seu braço direito feita há 15 anos por seu primo e gravada com o nome dele. Segundo ela, há muito ainda para se aproveitar da vida. “Um padre me trouxe aqui e eu acabei gostando. Não me acostumei ainda, mas aqui é bastante animado aos domingos. Me divirto com os bailes. Eu ainda tenho força e coragem para limpar a casa, se eu achar um bom companheiro, com uma casa ‘zeladinha’ e que goste de mim, eu com certeza encaro”, disse.

Prisão

Lourival Naivert, 67, está no asilo há quase quatro anos e sua única família são seus dois irmãos, mas ele não gosta da falta de liberdade que o asilo oferece. “Passei a minha vida inteira livre, e agora estou preso. A gente fica pensando como está sendo lá fora. Fechados aqui, parece até que cometemos algum crime”, disse.

Lourival sofreu de hérnia de disco e ficou com a perna direita menor. Segundo ele, sempre teve bom relacionamento com os seus irmãos. “Nunca briguei com eles. Esse é o segundo asilo que vivo e minha irmã sempre pediu para que eu fosse morar com ela. Mesmo que eu não goste de viver aqui, na idade que estou não quero incomodar ninguém”, comentou. “Os chaveirinhos de miçangas que eu faço aqui são a minha distração, meu entretenimento, senão acho que ficaria louco sem ter nada para fazer, além disso, com eles ganho até um dinheirinho extra”.

Quitéria Olímpio Maria da Conceição está no silo há mais de 10 anos, e assim como Antonieta, não recorda de sua idade. Ela é natural de Pernambuco. Todos seus parentes moram no Norte do País. “Eu vim tentar a vida aqui, acabei casando e ficando viúva. Nunca mais tive contato com meus irmãos, eles nem sabem que eu estou aqui. E como não pude ter filhos, acabei ficando sozinha no mundo”, lamentou. “Mas eu vou fazer uma novena pra algum santo, para meus irmãos virem aqui me buscar. Eu não gosto de ficar aqui, não tem nada para fazer... Mas eu prefiro morar aqui do que na rua. Eu tenho uma sobrinha em Paiçandú, mas ela é ruim e eu não quero incomodar ela”.

Visitas

Diferente de Laurentina e Lourival, a mineira Maria Antonieta Alves da Silva, sempre recebe visita nos domingos. Ela não se recorda de sua idade nem desde quando vive nos asilo, mas segundo ela, faz muitos anos. O que se sabe de Antonieta é que apesar de toda a tristeza oculta em seu coração, possui um brilho radiante e contagiante no olhar. “Toda a minha família está com Deus, meus pais morreram, minhas irmãs, meus filhos gêmeos e meu marido. Todos foram adoecendo e morreram um a um”, disse.

Antonieta adora viver no Lar dos Velhinhos. Segundo ela, as irmãs são boazinhas e suas companheiras compreensivas. “Gosto muito de viver aqui, ninguém me amola. Nunca imaginei que viria parar em um asilo, mas graças a Deus não estou sozinha. Tenho muitos amigos”, argumentou.

Antonieta apesar de ter uma alimentação saudável, possui a saúde frágil. Frequentemente sente fortes dores de cabeça e na perna. “Já fui muitas vezes ao médico, mas mesmo assim não me queixo. É bom ter amigos. Parece ser besteira... mas sempre que preciso de um copo d’água alguém me socorre, no dia de visita, apesar de não ter família, meus amigos e minhas ex-vizinhas me visitam, isso me deixa muito feliz”, comentou.

Outra moradora do asilo é Maria Bárbara Maia, 84, ficou viúva duas vezes e é mãe de três filhos. “Eu tenho a memória fraca, não sei quando vim para cá. Eu sei que tinha quatro filhos, um morreu. Todos os domingos eles vêm me visitar e me leva pra ver os parentes. Eu vivo aqui porque eu não quero dar trabalho pra ninguém. Além disso, eu sou feliz assim”.

41 anos de asilo

O Lar dos Velhinhos foi fundado no dia 8 de Maio de 1966, pelo Rotary Club, que mais tarde entregou o Lar para as irmãs da Imaculada Conceição - congregação de freiras. A irmã Firmina foi quem recebeu a chave do Lar dos Velhinhos e desde então é diretora do lugar. Este ano ela completa 41 anos de administração.

Segundo Sandra Regina Gardiolo Nardo, secretária da irmã Firmina, o asilo possui capacidade para 50 idosos e no momento todas as vagas estão preenchidas. “O Lar é mantido através de doações, promoções, ajuda do governo e o benefício dos vovôs”, disse Sandra. Cada idoso disponibiliza R$380, sendo que 20% do dinheiro, os velhinhos podem dispor conforme quiserem.

A secretária disse ainda que a prefeitura ajuda com seis funcionários de serviços gerais e uma renda mensal, a qual ela não quis dizer o valor. “Não posso dizer quanto eles nos repassam, mas não é muito dinheiro não”, afirmou.

Quando algum idoso fica doente é encaminhado para o SUS. No asilo existe uma sala específica para esses doentes com uma enfermeira de plantão. São quatro enfermeiras, que trabalham 12 horas e revezam com as demais. No asilo, não há psicólogos, somente a colaboração de trabalho voluntário. (Fabiane de Souza)

Notícia - Público de espetáculo de Ballet decepciona

No último dia 17 de julho foi realizado um espetáculo de dança da Academia Nielici Camargo. As expectativas para o evento foram cumpridas, mas a professora e diretora da Academia Nielici Camargo não esconde o descontentamento devido ao número de pessoas que compareceram ao teatro. “A única coisa que me deixou desanimada foi o números de pessoas presentes. Esperava mais”, comentou Nielici.

O evento que tinha entrada franca e contava com a presença de bailarinos profissionais não foi suficiente para lotar o Teatro Calil Haddad, que tem capacidade para 790 pessoas. Para Nielici o povo maringaense ainda não esta preparado para esse tipo de apresentação. “Eu achei que o teatro ia estar lotado. Foram distribuídos 1600 convites. Compareceram ao espetáculo, no máximo, 500 pessoas”, diz Nielici.

A apresentação teve a participação dos professores Sérgio Oliveira, Samira Crema, Isabel Domit e dos alunos estagiários da Academia. A direção geral ficou por conta de Nielici Camargo e do Coreógrafo Sérgio Oliveira. A música foi uma criação especial de Roberto Burguel feita exclusivamente para o espetáculo.

O evento teve o patrocínio da Usina de açúcar Santa Teresinha e o apoio da Prefeitura de Maringá, Urbamar, Gildo produções, Gráfica Lisboa e O Diário de Maringá. (Aline Bueno)

Fotolegenda - Olhos grandes para te ver melhor


A exposição de mangás, realizada no Calil Haddad por desenhistas maringaenses, está quebrando o velho tabu de que mangás são quadrinhos eróticos japoneses. Desenhos de pornografia nipônica, na verdade, são os Hentais. O mangá surgiu das mãos do artista japonês Katsushita Hokusai, em meados do século XIX. Ele desenhava histórias em quadrinhos com fatos cotidianos. Mas, o gênero, só se consagrou em 1946 com a H.Q. “A Nova Ilha do Tesouro” de Osamu Tezuka. Foi no ocidente que o mangá se tornou um tipo especifico de quadrinho. A palavra, em sua essência, significa “desenho humorístico”, apesar de abordar diversos assuntos e propor valores humanísticos. Foi Tezuka quem arregalou os olhos dos personagens. Ele achava que os olhos expressavam os mais diversificados e intensos sentimentos. (Lizandra Cortez Gomes)

Entrevista - A ironia de Mister Lúdico e os Morféticos




A banda paulista Mister Lúdico e os Morféticos esteve em Maringá no último dia 16 para fazer um show no Pub Fiction Bar juntamente com a também paulista The Tickets. Formada em 2006 em São Paulo pelos itanhaenses Mister Lúdico e Amadeu Coiote e pelo paulistano Rafa Menezes, a banda tem uma demo com quatro músicas e planeja lançar o primeiro álbum – independente – no mês que vem.

Apesar da pouca idade, a banda já é bem conhecida na cena independente nacional. Tal fato se deve principalmente às aparições de seus integrantes em programas da MTV como Quebra-Galho, VidaLog e Gordo Freak Show, além da participação, em novembro de 2006, no quadro Banho de Estúdio, do programa TramaVirtual, exibido semanalmente pelo canal Multishow.

Durante sua passagem por Maringá, mais precisamente antes do soundcheck no Pub Fiction, a banda falou sobre a cena de São Paulo, a origem do curioso nome e as participações nos programas da MTV. (César L. Miguel)


Como foi o começo da banda?

LÚDICO Eu e o Amadeu, a gente já tem banda lá em Itanhaém desde sempre. Ele foi para São Paulo há dois anos e eu fiquei “moscando” em Itanhaém, fazendo música. Aí ele me arrumou um emprego em São Paulo, fui para lá, passamos as músicas, arrumamos o Rafael no orkut e montamos a banda: Mister Lúdico e os Morféticos.

Quais eram os empregos?

LÚDICO Até hoje a gente é técnico em áudio no Estúdio ProduSom, lá em São Paulo.

COIOTE A gente fica passando o som do Fábio Jr.

E quanto ao nome da banda, de onde veio?

LÚDICO Não sei. Então, tudo funciona da seguinte forma: a gente às vezes quando está andando, a gente não fica prestando muita atenção à nossa volta. A gente às vezes é levado (sic), por ironia do destino ou levado por certas substâncias, a enxergar coisas além. Eu estava andando com meu amigo índio na rua e me veio na mente: Mister Lúdico e os Morféticos! Sendo que morfético eu sabia por causa que a minha avó, ela falava que quando os “tiozões” jogavam baralho, eles falavam: “joga esse três aí, seu morfético!”. Sabe? Tipo de lazarento também, que era leproso. Eu gostei do nome e acho que isso foi uma coisa assim, entendeu? Mister Lúdico e os Morféticos. E lúdico é relativo a jogos, brincadeiras e diversão e eu sempre fui um “nerd” muito divertido. Até ir embora para São Paulo que aí foi desgastando meu espírito. Mas enfim, a gente sempre supera.

Mas você tem um amigo índio?

LÚDICO Tenho. O meu amigo índio ele fica o dia inteiro tentando cortar os fios dos postes porque ele quer acabar com as empresas de telefonia. Ele é totalmente louco.

Recentemente você participou do programa Quebra-Galho, da MTV, onde eles dizem te ajudar com apenas 50 reais. Eles te deram uma passagem de ida para Varginha e te indicaram um guia. Você conseguiu ver algum ET?

LÚDICO Isso aí foi uma parada mó legal da MTV. Aquele lugar tem umas paradas loucas mesmo. Toda vez que ocorreu uma manifestação de ET ocorreu também uma “pá” de coisas naturais, tipo tempestades e furacão. E eu fiquei sabendo pelo carinha que me acompanhou lá que aconteceu uma “pá” de coisas que ficou mantida debaixo dos panos pela própria imprensa e pelo poder público de lá para não causar um alarde coletivo. Mas eu não fui já programado... “Tá, vou ver!” Dentro de mim eu sabia que não ia ver nada, mas eu acreditava. A gente tem que acreditar mais no que a gente sente, mesmo se a gente não sabe explicar isso. E lá aconteceram coisas muito incríveis. O ar é diferente e o céu é tipo um espelho do espaço mesmo, você consegue ver tudo lá: muitas estrelas a mais e muitas coisas divertidas voando lá em cima.

COIOTE Posso fazer uma constatação? A gente reparou na viagem de van que não há céu como o do Paraná.

LÚDICO É verdade.

COIOTE Eu constatei hoje que realmente o sol é um astro. É o astro-rei. Porque ele deu um espetáculo do começo da viagem até o fim. Nossa!, coisa fantástica, cara! Durante a tarde o céu lindo e maravilhoso, foi... foi entardecendo... Nossa!, foi incrível!

LÚDICO Descobrimos que foi no Paraná que tiraram a foto do Windows XP.

COIOTE Aquelas colinas dos Tele-Tubbies.

Voltando ao Quebra-Galho, você só gastou 50 reais? Isso é uma mentira, não é?

LÚDICO Como eu não assinei nada que eu tinha que ficar quieto e, se eu assinei, eu não lembro então eu não me importo... Não foi (sic) 50 reais nem f...! Eu cheguei lá, comi igual um cavalo. Fiquei num hotel que eu tenho certeza que caberia todo mundo aqui confortavelmente (contabiliza as mais de 10 pessoas em volta) e fiquei assistindo “Os Três Patetas” a madrugada inteira. Foi muito legal mesmo.

Então é uma farsa?

LÚDICO Total e plena.

RAFA Como você vai e volta de Varginha com 50 reais? Só na passagem de ida já vai o dinheiro todo.

A música “Na Praia Com Você” é uma das que os fãs da banda mais gostam. Como foi composta?

LÚDICO Eu tinha uma namorada em Itanhaém e ela foi a única namorada que eu não fazia terrorismo e que eu gostava de verdade. Só que ela era filha do cara mais rico e idiota da cidade e eu era meio idiota, sempre fui. E ele proibiu a gente de namorar, aí eu fiz essa música criando uma praia utópica onde nós viveríamos felizes e faríamos coisas legais. E a música “Devótcha Maldita” eu fiz para ela também quando fizeram uma lavagem cerebral na cabeça dela e ela começou a me ignorar e a me tratar mal.

Nessa mesma música, em meio a pedidos de desculpa e convites para que ela dance Elvis com você, você diz “tá, o Batman não existe... pra você”. O Batman existe?

LÚDICO Claro. Eu acredito que sim. O Batman, assim como o Tex Willer, é um personagem que passa muitos ensinamentos para as pessoas. Eu, que não tive uma figura paterna, busquei no Batman essa figura. Em quem me espelhar.

RAFA Então o Alfred era um vovô para você?

LÚDICO Era. E o Alfred era também médico de guerra. Ele poderia te operar com esse copo (pega um copo plástico com tampa metálica na mesa).

Vocês almejam tornar-se ou consideram-se rock stars?

COIOTE Não, não. Se soubesse as condições que a gente vive... Não vou dizer também que os Ramones viviam em condições fabulosas...

LÚDICO Os Ramones nunca foram rock stars. Rock stars são o Paul Stanley, o Gene Simmons (ambos do Kiss), Axl Rose (do Guns N’ Roses), esses caras... A gente não é rock star nem f..., e mesmo tento dinheiro eu não vou ser. Eu vou gastar todo meu dinheiro em gibi, em discos e em uma casa na praia e um violão e uma prancha long e um macaquinho. Só. E mais nada.

Você sabe que é contra a lei ter animais silvestres, não?

LÚDICO Mas eu vou ter um macaquinho como amigo. Ele vai ter o quarto dele e tal.

Como é a cena independente em São Paulo?

COIOTE É uma panelinha do c...! Fica mais restrita à Rua Augusta e a galerinha que trabalha na produção da MTV. Rola bastante banda cover, mas para música própria, para você conseguir espaço é bem difícil. E quando tem espaço o cara quer que você já leve público, encha a casa. É bem complicado. Rola um certo (sic) descaso dos bares.

Mister Lúdico e os Morféticos fazem parte dessa panelinha?, vocês já participaram de vários programas na MTV.

LÚDICO Isso aí foi assim: tem um amigo nosso que é roadie (técnico de palco) da banda. Ele é roadie de outra banda que chama Paura que ia tocar no programa do (João) Gordo (o programa Gordo Freak Show). “Meu, vamos lá. Só para ir ver a gente.” A gente foi para ver a banda. Aí as minas da produção viram a gente, gostaram, pegaram o nome, falaram que iam fazer não sei o quê, “vocês vão ficar aqui na frente”. Aí o João Gordo brincou com a gente até. Ele falou assim: “que ano vocês acham que vocês estão?”. Aí eu falei: “Sessenta e nove”. Aí ele olhou pro Amadeu e falou: “é hippie!”. Foi isso, mas já bastou. Porque a gente não tinha contato nenhum até então.

Aí o Amadeu fez o VidaLog, eu fiz o Tribunal de Pequenas Causas (Musicais) e esse Quebra-Galho. Aí a gente pegou contato, conheceu gente lá dentro. Mas a gente conseguiu isso na raça, indo lá e dando a cara. Não foi nada de pegar o telefone: “ó, então, eu ‘tô’ com a minha banda, eu quero aparecer aí, beleza?”.

Para datas de shows, notícias e as músicas da demo acesse www.myspace.com/misterludico.

Reportagem - Campanha do agasalho mostra a solidariedade do povo maringaense


Kiko Vieira - PMM

A presidente do Provopar, Luiz Pupim, recebe doações para campanha do agasalho

O Provopar de Maringá lançou a campanha "O frio congela, a fraternidade aquece", no final de abril. A campanha, que é destinada à arrecadação de agasalhos e cobertores para serem doados à entidades de Maringá e região, terminou essa semana com um mutirão no Ginásio de Esportes Chico Neto para organizar as peças arrecadadas. Vários pontos da cidade, como shoppings, mercados, lojas, praças e escolas arrecadaram essas doações e repassaram para o Provopar, que por sua vez distribui para as entidades cadastradas. Com o tema "Inverno Mágico Maringá", a campanha também contou com mutirões de arrecadação, realizados por membros do Tiro de Guerra da cidade, que passaram em residências de determinados bairros recolhendo as doações.

A quantidade de roupas e cobertores que cada instituição irá receber depende da demanda e solicitação, das próprias casas assistenciais que serão beneficiadas. A campanha chamou muito a atenção dos maringaenses, principalmente pelo caminhão de bombeiros localizado na frente da catedral, com o slogan da campanha. A estimativa é de aumentar a quantidade de toneladas arrecadadas em relação ao ano passado, 28 toneladas. Principalmente porque o número de postos de arrecadação aumentou, e o frio este ano chegou mais cedo e mais intenso do que nos anos anteriores.

Fernanda Degan, gerente de marketing do Shopping Cidade, um dos pontos de arrecadação da campanha, declarou que este ano foram arrecadadas 10 vezes mais doações em relação á 2006. Tudo isso graças à divulgação do próprio shopping, através de sua central de relacionamentos, e iniciativas como bingos e apresentações musicais agendadas para chamar a atenção do público para a causa.

Foram enviadas ao Provopar entre os dias 29 de abril e 1 de junho cerca de 20 caixas lotadas. As caixas para doações ficavam em pontos estratégicos dos locais de arrecadação. Geralmente na entrada e saída dos estabelecimentos, com o slogan da campanha. "As doações superaram as expectativas, uma kombi lotada foi encaminhada ao Provopar", declarou Degan. Entretanto, ela ressaltou que muitas roupas doadas não foram aproveitadas, pois, se tratavam de peças muito velhas, algumas rasgadas e sem condições de uso. "Até peças íntimas foram deixadas", revelou.


Mais divulgação e renovação fortaleceram a campanha

A chegada de Luiza Pupin à presidência do Provopar em 2005, aumentou significamente o número de postos de arrecadação e a divulgação da campanha. "O nosso objetivo não é apenas divulgar a campanha, e sim trabalhar a solidariedade do povo maringaense" afirmou Cristina Marangone, que trabalha há mais de vinte anos na prefeitura e é uma das coordenadoras da campanha. "Desde que trabalho aqui existe a campanha do agasalho, mas ela nunca foi tão trabalhada quanto agora".

Carmem Zenetti, moradora do bairro Jardim Novo Horizonte declarou que faz questão de doar sempre que pode. "Dôo sempre para o Provopar e para o Hospital do Câncer, não espero a campanha começar não. Sempre que tem alguma coisa sobrando em casa, panela, calçado ou roupa eu levo lá." confirma a dona de casa que garante que a confiabilidade nas entidades é principal "Não acredito em nada que me peça dinheiro. Se é pra hospital, creche ou albergue o que importa é a comida, roupa e remédio, e é assim que eu ajudo. E ainda faço questão de eu mesma entregar, para saber que não é trambicagem", exclamou.

Mas Luiza Pupin explica que a campanha terá um fim porque encerram as arrecadações nos postos credenciados, mas não terminam as doações e nem o repasse. A prefeitura continua recebendo doações o ano todo. Informações no Provopar-Maringá telefone 3221-1241. (Natuza de Oliveira)

Notícia - Show do Henrique Cerqueira supera as expectativas

Nessa terça-feira (12) aconteceu o show “Pensando em você”, de Henrique Cerqueira, no teatro Marista às 20h. O evento superou as expectativas, lotou todas as cadeiras e corredores do teatro.

Cerca de 100 pessoas acabaram ficando do lado de fora, pois os ingressos esgotaram, algumas ficaram nervosas e agitadas, mas não houve nenhum tumulto muito grave. “Eu queria muito ter conseguido entrar, esquecia de comprar o ingresso antes. É uma pena que eu não consegui, mas agora vou prestar bastante atenção para da próxima vez comprar antes e conseguir assistir”, afirma Gabriel Rocha, 17.

O evento trouxe músicas gospel românticas, foi um ótimo programa para casais já que aconteceu no dia dos namorados. Houve também uma participação especial da banda Estação de Rádio, que toca reggae gospel.

“Foi um evento super divertido, ao mesmo tempo em que foi bem romântico, com direito até de declarações de amor, quem estava solteiro deu pra aproveitar. É uma pena que algumas pessoas não conseguiram entrar, pois estava muito bom, elas perderam, mas isso é um aviso pra da próxima vez não deixarem para comprar o ingresso de última hora. Quase que eu não consegui entrar também, não esperava que ia lotar o teatro”, diz Thays Amanda Leal, 15. (Beatriz Romão)

fotolegenda - Tarifa do transporte coletivo aumenta, consumidor é pego de surpresa

As pessoas que fazem uso do Transporte Coletivo Cidade Canção, (TCCC), em Maringá acordaram na manhã do dia 11 de junho e se depararam com o aumento da tarifa do transporte na cidade. É claro que não foi por falta de aviso, mas há aqueles que dizem que não ouviram falar da mudança, exceto aqueles que ouviram há um ano o tal do comunicado de aumento que não ocorreu. O aumento previsto em decreto nº 375/2007 pela prefeitura municipal, mudou a tarifa de R$ 2 para R$ 2,20 em dinheiro. E o consumidor afirma que para uma cidade do tamanho de Maringá, com esse novo preço, o jeito é investir em um carro novo ou andar a pé. (Marco Aurélio de Morais)

domingo, 17 de junho de 2007

EDIÇÃO 13 - DE 18 A 24 DE JUNHO

Editorial - Liberdade de imprensa: uma conquista justa

Trabalho, seriedade e muita dedicação. É principalmente, com estes ingredientes que chegamos a 13ª edição do Inconstrução. Durante este período - pouco mais de dois meses - levamos ao leitor informações diversificadas como: política, entretenimento, atualidades, cultura, entre outras.

É com orgulho que redijo este editorial, pois, aqui deixamos a opinião do nosso veículo e nossa visão sobre determinados assuntos. Aproveito para deixar o nosso muito obrigado aos leitores que nos tem acompanhado e acreditado em nosso trabalho.

Hoje, vamos comentar sobre um assunto que revolucionou a impressa no Brasil: ´a liberdade de imprensa´ que foi comemorada no dia 7 deste mês. Aliás foi uma conquista mais que justa, muito sofrida por sinal. Através desse marco histórico conquistamos o direito de levar a informação ao público e ser livres para informar.

Na época do regime militar, fazer jornalismo era uma missão quase impossível. Nas redações havia militares responsáveis em selecionar o que o veículo publicava ou deixava de publicar. Qualquer conteúdo que, direto ou indiretamente atingisse o governo era excluído.

Em algumas situações, os editores como forma de expressar a censura ao leitor, publicavam receitas de culinária em espaços onde matérias deveriam ser publicadas. Foi uma época em que muitos jornalistas chegaram ser assassinados. Porém este martírio terminou no final da década de 80 com o final da ditadura militar. A partir daí a imprensa passou a conquistar cada vez mais seu espaço.

Apesar de já ter vencido censuras impostas pelo regime militar e muitas outras, na atualidade, a liberdade de imprensa encontra-se ameaçada em razão do monópolio crescente dos meios por grandes empresas transnacionais de informação e entretenimento. No Brasil, são vários os fatores que impedem o exercício de uma imprensa livre, sem vínculos econômicos e políticos.

A concentração da propriedade dos meios nas mãos de poucas famílias. A falta de escolarização da população e a limitação do consumo de produtos culturais. A ausência de crescimento econômico que dê sustento e autonomia às empresas de porte médio, o que leva jornais, principalmente do interior, a servir como braço de políticos ou do governo.

Com a liberdade de imprensa muita coisa mudou. Se compararmos com a imprensa brasileira do início do século XX, tivemos uma grande evolução. É muito melhor, inclusive, que a imprensa da década de 1970, referenciada por muitos pela combatividade durante o Regime Militar, combatividade essa que a literatura recente tem questionado.

Com o passar dos tempos, a imprensa se profissionalizou e passou por processos tecnológicos, como a informatização por exemplo, o que deu maior agilidade, rapidez e adequação para atingir um público mais diversificado com produtos. Os impressos estão em busca de um lugar ao sol diante da força da imprensa on-line. A TV se adequando rapidamente à revolução digital, que deverá movimentar o setor nos próximos 5 a 10 anos. Porém, em termos de qualidade informativa, acreditamos que a imprensa ainda deve muito ao público.

Enfim caro leitor, para não estender muito a conversa, encerro o assunto dizendo que a Liberdade de Imprensa é uma liberdade que ainda temos que conquistar em muitas regiões do Brasil. E esta liberdade demanda um posicionamento mais crítico e atento da população quanto aos seus direitos por uma informação de qualidade e isenta. É preciso que os movimentos em torno da democratização dos meios sejam incentivados e que o Conselho Nacional de Comunicação ganhe força e se instale nos estados e municípios brasileiros. (Walter Pereira)

Crítica - Cometa Buarque

Sete anos depois, ele voltou. O malandro esteve na praça outra vez. Sem “Construção”, “Cotidiano”, “Cálice”, “Geni e o zepelin”, “Olhos nos olhos”, “A banda”, “O meu guri”, “A Rita”, “Meu caro amigo”, “Apesar de você”, mas voltou.

Sucessos? Claro, teve “João e Maria”, “Quem te viu, Quem te vê”, “Eu te amo”, e uma série de outros sucessos classificados erroneamente como “Lado B”- sucessos não tão clássicos.

A turnê “Carioca” foi assim. Filas de até 12 horas para comprar ingressos, muita gente aos prantos por não conseguir adquiri-los, tumultos, reclamações sobre a organização, shows sempre lotados, público satisfeito, diversas invasões de palco, e em Brasília, contou até com o presidente Lula confortavelmente sentado na terceira fileira do teatro.

O show em Goiânia no dia 18 de maio marcou o encerramento da turnê. Um momento histórico, já que Chico fez apenas 4 turnês nos últimos 30 anos.

Em Goiânia, Chico Buarque permaneceu em seu quarto de hotel durante todo o dia 17. Só saiu às 19:00 horas para ensaiar no Teatro Vermelho. Eu estava entre os seis fãs que passaram a tarde inteira para ter o encontro com o mestre. Quando ele apareceu no hall do hotel 5 estrelas, fui ao seu encontro. “Chico, viajei 16 horas só pra te ver”. Após um segundo em silêncio – o mesmo “silêncio que a só um poeta se permite”, como ele mesmo escreveu em “Budapeste”- respondeu timidamente, com um humor fino e inteligente enquanto assinava meus dois livros: “Eu viajei só três.”

Após os autógrafos, foi cercado pelos outros fãs e não perdeu o bom humor. “Virei show da Xuxa”, respondeu ao jornal local.

Durante a derradeira apresentação, Chico estava completamente à vontade. Quem esperava um show frio, se surpreendeu com uma intervenção longa. Chico explicou que aquele era o último show do “Carioca”, que iria descansar um pouco, uma conversa que pegou todos nós desprevenidos. Lá estava o mito, a lenda, a figura mais importante da música popular brasileira anunciando suas merecidas férias. Sorrindo à todo momento, respondia aos gritos de “lindo” com acenos tímidos, ligeiros.

A timidez que lhe é famosa fica evidente a apresentação inteira. Chico permaneceu completamente paralisado enquanto esteve em pé, cantando com seu violão. O único movimento que fez no palco foi sentar em um banquinho. Só. Até quando tocou kalimba, um instrumento africano, em “Morena de Angola”, permaneceu imóvel. Quando não está tocando violão, parece não saber o que fazer com as mãos e fica com elas assim, abertas uma de frente para a outra.

As primeiras três músicas, um pout-purri de “Voltei a cantar” (1939), de Lamartine Babo, seguida por “Mambembe” (1967), e “Dura na queda” (2006), marcam o início das metralhadoras de flashes disparadas pela platéia, e definem o show.

“Dura na queda” logo no início é a prova cabal de que as canções de “Carioca”, ao contrário do que dizem alguns críticos musicais e fãs, não perderam a qualidade, como é de se acontecer com alguns músicos sessentões e ainda mantém a mesma poesia e musicalidade da conturbada década de 70.

Os problemas sociais e o romantismo não foram excluídos das temáticas, como é o caso de “Ode aos ratos” e “Bolero Blues”. Na primeira, Chico usa os roedores para metaforizar os garotos de rua: “Rato de rua, irrequieta criatura. Tribo em frenética proliferação (...) Ó meu semelhante, filho de Deus, meu irmão”. Ao vivo, a canção ganhou um peso incrível, com bateria, percussão e violões mais altos do que o restante da apresentação. Já a melancólica “Bolero Blues”, de melodia elaborada, composta pelo baixista Jorge Helder, ao vivo surpreendeu por apresentar um resultado tão bom quanto ao da gravação. A letra romântica em clima saudosista foi difícil de ter sido composta. É visível o amadurecimento de Chico como compositor nessa canção, em que apresenta uma poesia mais literária.

O momento de maior interação com o público não foi do futebol invisível jogado por Chico e o baterista Wilson das Neves. Mas sim, um erro de Chico.

Durante a turnê inteira, confessou no meio dos shows não saber muito bem a letra de “As atrizes”. No último show de “Carioca”, ele se confundiu. Trocou uma estrofe pela última da canção. O que era para ser “Represente, presentemente muito pra mim”, ficou “Presentemente, represente muito pra mim”. O público, percebendo a confusão, aplaudiu incansavelmente. Ao término da canção, Chico fez uma longa intervenção e pediu desculpas por ter errado a letra. Alguém gritou “Você pode errar, Chico”. A resposta surgiu com mais sorrisos, aplausos e risadas “Posso, né? A música é minha”.

Encantou com “Bye, Bye, Brasil”, música composta para trilha sonora e que nunca foi executada ao vivo. Emocionou com a clássica “Eu te amo”, responsável por arrancar lágrimas do teatro inteiro e de fazer uma senhora ao meu lado tremer como se estivesse sofrendo um ataque epilético. “Imagina”, composta em parceria com Tom Jobim, e gravada apenas em 2006, proporcionou um dueto delicioso entre Chico e a tecladista Bia Paes Leme. Para castigar todos os presentes, a canção ganhou compassos mais lentos, realçando ainda mais a intensa melodia jobimniana.

E assim desfilaram entre aplausos “Mil perdões”, “Futuros Amantes”, “As vitrines”, “Ela é dançarina”, “Na carreira”, “A história de Lily Braun”, tudo simplesmente indescritível. Um show perfeito, uma banda perfeita. Após “Porque era ela, Porque era eu”, não resisti. Completamente emocionado, gritei “Bravo!”. Só percebi que tinha gritado alguns minutos depois.

E teve samba também. “Cantando no toró”, “Deixa a menina sambar”, “Sem compromisso”. Essas duas últimas canções marcaram o primeiro bis, em que a platéia aproveitou para sambar e os mais próximos alcançaram a frente do palco. Fiquei encostado no palco. Foi assustador. Os seguranças, desconfortáveis temendo uma invasão da multidão em frenesi, não sabiam o que fazer.

“Quem te viu, quem te vê” e “João e Maria” fecharam o show. A multidão aplaudia compulsivamente. Garotas, senhoras, senhores, garotos, todos em coro, apaixonadamente cantando os versos dessas duas canções como se fosse alguma espécie de hino sagrado. Todos implorando para que o mito ficasse apenas mais um instante no palco. Afinal, ninguém sabe daqui a quanto tempo, o cometa Buarque passará novamente por nós. Vai passar? (Alexandre Gaioto)

Artigo - Universidades: públicas e privadas

Neste fim de semana, estive em minha cidade natal e pude perceber que pensamento de povo do interior não muda nunca. Vi que pessoas que fizeram cursinho comigo continuam naquela sala de curso, se matando e se comendo em busca de uma vaga numa universidade pública. Me perguntei até que ponto vale a pena estudar três, quatro ou cinco anos num cursinho para conseguir vaga numa universidade estadual?

A universidade estadual nos últimos anos vem fazendo o mesmo caminho da escola pública de ensino fundamental e médio, que, há alguns anos atrás, era muito melhor que o ensino particular, mas depois de “reformas” na educação acabaram indo parar no fundo do poço.

O ensino público está cada vez pior. Os laboratórios estão em calamidade, as salas de aula não possuem um ventilador e quando possuem eles fazem mais barulho que vento. Os professores recebem mal, muitas vezes nem existem professores para determinadas matérias, sem contar que existem ainda professores que fingem que dão aula, entram passam alguma coisa no quadro e vão embora. É minha gente, este é o ensino público dos últimos anos.

A universidade particular está fazendo o mesmo caminho que escolas privadas de ensino médio e fundamental fizeram. Aproveitou o “relaxo” com o ensino público, buscaram os melhores professores (e pagam mais que a universidade pública) e fizeram laboratórios equipados com material de qualidade, para que não deixe nada a desejar.

Acontece que o povo ainda acha que universidade pública é a melhor e a particular é só para “filhinho de papai”, que não tem capacidade de passar em uma instituição de ensino pública. Acontece que ultimamente estou vendo alunos de faculdade públicas ficarem sem férias e com calendário letivo todo bagunçado, graças ao governo e aos professores que acabam tendo que entrar em greve para reivindicar melhores salários.

Aquela imagem de que tudo que universidade pública é melhor está caindo por terra, e podemos concluir que se continuar assim, só vai estudar em universidade pública quem não tiver condições de pagar pelo ensino superior. (J.C.Ortiz Júnior)