domingo, 10 de junho de 2007

EDIÇÃO 12 - DE 11 A 18 DE JUNHO

Editorial - Já que o amor está no ar...

O Dia dos Namorados se aproxima e para os apaixonados, uma atmosfera diferente surge no ar. São bombons para cá, presentinhos para lá, floriculturas lotadas de namorados com a intenção de agradar suas amadas. Com o frio antecipado então, mais e mais casais se abraçam e andam juntinhos.
O costume de dar presentes no Dia dos Namorados, infelizmente, surgiu apenas como mais um apelo comercial, cujo slogan era: “Não é só de beijos que se prova o amor!”. O slogan não está errado, amor não é só beijo, entretanto, não é só presente. Amor é atitude.
Em um mês como esse, muitas pessoas passam frio, e poucas são as contribuições para campanhas de agasalho. Talvez nem tão poucas, mas as arrecadações poderiam ser maiores. Enquanto isso, as lojas lucram imensamente com pessoas declarando amor. Não seria mais gratificante ver quantas vidas melhoraram com uma simples doação de um casaco velho? E não só agasalhos, mas brinquedos, alimentos, e tantas outras coisas que poderiam ser doadas e que na maioria das vezes jogamos no lixo.
O foco aqui está na importância de todas as formas de amor, e suas demonstrações vão desde ceder um lugar em um ônibus até dar um presente caro no 12 de junho.
O respeito entre as pessoas já seria um grande ato! É possível ver com facilidade casais se agredindo, com atitudes grosseiras e frias, trocando presentes no Dia dos Namorados. Muitas vezes a falta de educação e o egoísmo comandam as ações da sociedade. Abrir a porta para alguém, perguntar como vai, tratar bem mesmo quem não nos trata tão bem assim já seria um grande avanço.
A intenção deste editorial não é tirar o encanto do Dia dos Namorados, e sim chamar a atenção para o fato de que o amor não deve ser demonstrado apenas em datas comemorativas, nem deve ser restrito a pessoas especiais para nós. Pequenos gestos podem fazer diferença na vida das pessoas, mesmo para aquelas que nem amamos tanto assim. (Lívia Miranda)

Artigo - No Meio Ambiente nada é independente

É difícil falar em aquecimento global quando congelo a mão para digitar esse artigo. Mas a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Agricultura, junto com a Câmara Municipal de Maringá, programaram algumas atividades relacionadas com a preservação ambiental, aproveitando que dia 5 de junho foi o Dia Mundial do Meio Ambiente.
Durante o evento autoridades e pesquisadores da área celebraram uma discussão sobre como evitar a disseminação do aquecimento global.
Atitudes como esta, mostram como esse assunto não é nada clichê e, por mais que algum dia alguém diga que está cansado de ouvir falar em aquecimento global, isso nunca vai estar fora de pauta até que se reverta a situação. O aquecimento global ficou mais “famoso”, depois que os EUA não assinaram o Tratado de Kyoto que “obrigava” os países pertencentes a ONU a diminuir as emissões de poluentes na atmosfera terrestre. O aquecimento global nada mais é do que um fenômeno climático, ou seja, um aquecimento acima da média da superfície da Terra.
Mas a situação, em relação ao meio ambiente, não está nada bonita. No Brasil os maiores impactos são nas áreas litorâneas, no semi-árido nordestino e principalmente na Amazônia. Segundo dados da ONG ambiental WWF- Brasil, o principal causador do aquecimento global é antropogênico, ou seja, feito pela ação humana.
A Revolução Industrial do século XIX foi o principio do fenômeno. Desde 1860, segundo pesquisas meteorológicas, a Terra aumentou entre 2 e 6ºC. O aquecimento não é uniforme, mas acredita-se que nesse tempo também que as irradiações solares tenham aumentado de 45 à 50%.
É difícil falar de aquecimento global e deixar de lado o efeito estufa, o buraco na camada de ozônio, a possível falta de água, e por ai vai, pois um fenômeno é ligado a outro. As emissões de raios solares contribuem para o aquecimento do globo, o que causa o efeito estufa e o aquecimento global contribui para a destruição da camada de ozônio.
As conseqüências de todos esses fenômenos podem ser letais para o planeta. Como o derretimento das calotas polares, o aumento do nível do mar, mudanças drásticas dos padrões climáticos, e consequentemente afetando o ser humano e os demais seres vivos.
Com essas mudanças climáticas muitas espécies podem ser obrigadas a sair de seu habitat e explorar outros ecossistemas, ou pior, serem extintas. Todo dia, “aparece” um bicho “novo” que está desaparecendo. Só no Brasil tem a Arara-azul, o mico-leão-dourado, o lobo-guará, o tucano, a capivara, e o boto - cor-de-rosa, que ficou conhecido só na lenda.
Não podemos esquecer que não só os animais correm riscos com a mudança do ecossistema. Todo mundo já cansou de ouvir que ficar exposto ao sol causa câncer de pele. Mas também quem não reparou que o sol desse verão estava muito mais penetrante. Até para quem ama passar o sábado em baixo do sol foi cansativo. E como diria a composição profética de Sá e Guarabyra, “Vai ter barragem no salto do Sobrdinho, e o povo vai se embora com medo de se afogar”, e termina com “O sertão vai virar mar, dá no coração, o medo de algum dia o mar também vire sertão”. (Lizandra Cortez Gomes)

Crítica - O fim da série Piratas do Caribe

Estreou no dia 25 de maio nos cinemas de todo Brasil, “Piratas do Caribe 3 - No Fim do Mundo”. O filme lotou as salas dos cinemas. O último capítulo da trilogia foi um dos mais aguardados do ano. Dirigido por Gore Verbinski, as filmagens das seqüências “Piratas do Caribe - O Baú da Morte” e “Piratas do Caribe - No Fim do Mundo” foram rodados simultaneamente entre março e setembro de 2005. Mas o lançamento ocorreu com a diferença de um ano.
O longa-metragem tem quase três horas de duração o que o tornou um pouco cansativo. Com um ótimo elenco composto por atores como Johnny Depp (Jack Sparrow), Orlando Bloom (Will Turner), Keira Knightley (Elizabeth Swann), Geoffrey Rush (capitão Barbossa), Chow Yun-Fat (capitão Sao Feng) e uma participação especial do guitarrista da banda Rolling Stones, Keith Richards (pai de Jack).
Quando Lorde Cutler Beckett (Tom Hollander) toma conta do navio fantasma Holandês Voador e começa a matar todos os piratas, a canção “Io-ho” é cantada. É aí que surge o grupo: Will Turner, Elizabeth Swann, capitão Barbossa e amigos de Jack Sparrow, para salvar Jack da ilha dos mortos, onde foi aprisionado por Davy Jones, o dono do Holandês Voador. Sparrow e sua turma precisam então juntar os Noves Lordes da Corte da Irmandade para derrotar Jones.
Então começa a emocionante guerra em alto mar de Jack e seus companheiros do Pérola Negra. O filme é estampado por várias tramas, traições entre os personagens e várias reviravoltas. Ele também mostra o “lado humano” e sentimental dos piratas, como por exemplo, a lagrima de Davy Jones quando lembra de seu grande amor, Calypso.O “gran finale” da trilogia possui muita ação, principalmente na incansável batalha final entre o Pérola Negra e o Holandes Voador. Isso tornou o filme um dos mais assistidos nas últimas semanas. “Piratas do Caribe 3” é uma ótima opção, que indico para todos aqueles que gostam de viajar em um mundo de mistérios e aventuras. (Joyce Camanho)

Notícia - "Aumento do salário de parlamentares não é moral, mas é legal", dizem vereadores

O reajuste salarial dos parlamentares, cercado de polêmicas, causa indignação entre os vereadores maringaenses

Os vereadores de Maringá parecem tão indignados quanto a população com o reajuste salarial dos parlamentares. A votação aconteceu no último dia 9 de maio – dia em que o Papa Bento XVI chegou ao Brasil – em Brasília e, caso o projeto de lei seja aprovado no senado, irá aumentar o salário de senadores, deputados federais e do presidente Lula e seu vice José Alencar em 29,05%, de acordo com a inflação dos últimos quatro anos. O reajuste, além disso, é retroativo a abril desse ano, ou seja, os parlamentares receberão a correção do salário desde abril e não a partir da aprovação.
Os vereadores maringaenses Valter Viana (PHS-PR), Altemir Antonio Santos (PR-PR) e Francisco Gomes dos Santos, o Chico Caiana (sem partido) acreditam que, pela responsabilidade incutida aos senadores e deputados, o salário e o reajuste estão de bom tamanho, mas não concordam com os benefícios que os parlamentares recebem. “O problema não é o reajuste em si. Não questiono o salário ou o reajuste, questiono sim as outras verbas complementares a que eles têm direito”, afirmou Altemir Santos.
Viana complementa que se eles tivessem apenas os R$16 mil que vão receber agora, talvez o salário não desse conta das despesas, mas a renda proveniente dos benefícios deveria passar por uma revisão. Chico Caiana ainda afirma que os vereadores não votam seus próprios aumentos. “Quando há votação, o reajuste só entre em vigor no próximo pleito” , disse. Mesmo assim, ele considera que o reajuste aprovado pelos parlamentares “não é moral, mas é legal”.
Afora disso, há uma polêmica quanto a data escolhida para a votação, que coincidentemente foi no mesmo dia em que o Papa Bento XVI chegou ao Brasil. Valter Viana considerou a escolha uma forma de tentar esconder o reajuste, ofuscado pela vinda do Papa. “Por mais que traga desgaste, os políticos devem tratar todos os assuntos de maneira aberta para com a população”.

Benefícios
Os benefícios dos parlamentares incluem uma verba indenizatória anual de R$15 mil, destinada ao ressarcimento de despesas com aluguel de gabinetes, manutenção de escritórios, locomoção e alimentação, entre outras atividades relacionadas ao exercício do mandato parlamentar de deputados e senadores. Deputados e senadores recebem 15 salários anuais e auxílio-moradia de R$3 mil e cotas de passagens aéreas, de acordo com o estado natal de cada um. A maior, de R$ 16.938,44 fica com os parlamentares de Roraima e a menor, de R$ 4.253,91, com os do Distrito Federal.
Os senadores recebem mais benefícios que os deputados. Estão entre eles carro com motorista e 25 litros de combustível por dia; cota postal que varia de acordo com o número de eleitores em cada e estado, podendo ir desde R$3 mil a até R$66 mil; celulares e ligações de gabinete sem limite; cota de R$500 em conta de telefone residencial e R$8,8 mil por ano em gráfica para documentos e material de expediente.Os deputados têm uma cota única que engloba telefone e correio de R$4.268,55, sendo que para os líderes, vice-líderes, presidentes e vice-presidentes de comissões a cota é de R$5.513,09 e R$6 mil para gráfica. (César L. Miguel)

Entrevista - Espetáculo Circense é sucesso nacional

Divulgação
Grupo Circo Teatro sem Lona em ação


A mistura do espetáculo circense com um toque teatral acabou dando origem à companhia do Circo Teatro Sem Lona, fundada em Maringá em 1996, por Pedro Ochôa e Marcos Trindade. Desde então, a companhia proporciona encanto e alegria às mais diversificadas platéias em espaços alternativos.
Em entrevista com Pedro Ochôa, diretor e professor do grupo de teatro da UEM (Universidade Estadual de Maringá), o ator revela como tudo aconteceu e o sucesso que o Circo Teatro Sem Lona adquiriu, chegando a ter repercussão não somente nas regiões do Paraná, como também em todo o país. (Fabiane de Souza)

Como surgiu a idéia de formar o Circo Teatro Sem Lona?
Em 1996, eu e o Marcos que é sócio na companhia, estávamos divulgando um espetáculo na rua e resolvemos fazer um projeto para a Lei de Incentivo para fazer espetáculos na praça, então surgiu a idéia de criar uma companhia de teatro de rua.

Por que vocês optaram pelo “teatro a céu aberto” ao invés do teatro em lugares fechados?
Para poder possibilitar as pessoas que não tem acesso ao teatro poder assistir espetáculos e depois decidir se gostam ou não, mas pelo menos poder assistir para depois saber se gostam ou não. Fortalecer o movimento de teatro em nosso estado.

Quem são os integrantes do Teatro? São sempre as mesmas pessoas ou varia de acordo com a peça?
Atualmente somos seis, eu, Marcos Trindade, Valquiria Vasconcelos, Valéria Bonifácio, Ester Bello e Daniel Lara, mas não são sempre os mesmos não, sempre saí ou entra gente nova.

Os espetáculos são realizados somente no Paraná ou se expande por outros estados?
Em Maringá, pelo Paraná e outro estados. Por exemplo, domingo estaremos viajando para o Rio de Janeiro, onde vamos fazer uma temporada durante o mês de junho. São 18 espetáculos. Depois em julho vamos para Cascavel, Marechal Candido Rondon, outras cidades do oeste e assim vai....

Como é feita a escolha das peças para a apresentação e onde os ensaios são realizados?
Primeiro temos que ter uma simpatia pela peça, gostar. Segundo tem que ter a ver com a nossa linguagem. Os ensaios acontecem na nossa sede, na Rua Vereador Padre Monteschio 176, em frente o Cemitério.

Que tipo de apoio que a Prefeitura Municipal oferece ao Circo Teatro Sem Lona ?
Nenhuma, tudo que fazemos para a Secretaria da Cultura temos que pagar. Aluguel de teatro e etc. Trabalhamos bastante e temos parceria com a Secretaria dos Transportes (SETRAN).

Como vocês fazem para se apresentarem, isto é, vocês que estipulam os lugares ou se apresentam quando são convidados?
Na verdade das duas formas, nós procuramos lugares e também recebemos convites.

Quantas peças vocês apresentam em média ao ano?
Nós temos sete espetáculo em nosso repertório (“O Amor de Peri e Ceci”, “Cantos e Contos”, “Peripécias Circenses”, “Tem Palhaço no Trânsito”, “Tam Tam e Tem Tem Numa Noite de Lua Cheia”, “Os Inimigos Não Mandam Flores”, “O Boi Cidadão”). Por ano realizamos umas 150 apresentações em média.

Qual foi a última peça que vocês apresentaram e o por que da escolha da mesma?
A última peça montada foi o “Tam Tam e Tem Tem....” e foi porque nós inscrevemos ela no edital da FUNARTE, que é um órgão Federal que dá apoio a grupos de todo o pais. Ganhamos a verba e montamos.

Tem algo que não foi perguntado e você queira contribuir para a entrevista?


Circo Teatro Sem Lona é uma Cia Maringaense, leva o nome da cidade para todo o país, e gostaríamos que a política de ação cultural na cidade fosse mais articulada, que o poder público tivesse mais ação realizando eventos como temporadas e eventos para o movimento teatral da cidade realmente existir.

domingo, 3 de junho de 2007

EDIÇÃO 11 - DE 3 A 10 DE JUNHO

EDITORIAL - Democracia às avessas

O presidente Hugo Chávez não escandaliza mais com sua postura antidemocrática. O malfadado golpe militar que o arrancou do Palácio de Miraflores por apenas dois dias em 2002, somado ao desgaste dos partidos tradicionais venezuelanos e ao cheiro de enxofre do presidente Bush são alguns dos fatores que contribuíram para a solidificação da figura autoritária do comandante Chávez.
A não renovação do canal de televisão independente RCTV, que sempre atuou como oposição ao governo chavista e arquitetou o fracassado golpe, atende aos desejos da maioria dos venezuelanos. Um presidente militar cada vez mais fortificado, incitando ódio à americanização e liderando os países latino-americanos.
Alimentado pelos petrodólares, o governo mantém a inflamável metralhadora verbal. Propõe acordos comerciais lucrativos com países mais pobres em troca do incondicional apoio político e segue a pregação do que chama de Revolução Bolivariana, uma revolução baseada nos ideais do “libertador” Simon Bolívar.
Logo, Hugo Chávez domina a situação que qualquer animal político gostaria de dominar. A direita, demasiadamente enfraquecida e apreciadora das figuras de esquerda que é, esconde a inveja.
Como o governo venezuelano é incapaz de conviver democraticamente com opiniões contrárias à sua forma de condução política, usa mordaças para emudecer e sufocar o debate crítico. Calar é retroceder. (Alexandre Gaioto)

ARTIGO - Cinema com ou sem opção

Cinema em Maringá é um grande problema. Não estou falando de problemas no sentido de se produzir um filme, estou falando de problemas de assistir a um filme.
Atualmente Maringá, possui dois cinemas. Juntando os dois, chegamos, na semana passada, ao fabuloso numero de nove salas, e mais fabulosamente ainda, juntando as nove salas chegamos a grande quantidade de dois filmes em exibição. Sim, é verdade, temos apenas dois filmes em exibição, assim como em muitas cidades do Brasil. “Homem Aranha 3” que segundo o jornal Estado de São Paulo, ocupa 690 salas de cinema no país (sendo três delas em Maringá) e “Piratas do Caribe 3” que ocupa seis das nove salas da cidade. Espero que você tenha assistido os dois filmes anteriores das trilogias que estão em exibição, se não, nem ao cinema você poderá ir.
“Cheiro do Ralo”, um ótimo longa-metragem nacional, conseguiu ficar nas salas - ou melhor, na sala, afinal era em uma única sala que o filme estava sendo exibido- dos cinemas maringaenses por uma semana. Perdi as contas de quantas semanas o filme da Xuxa ficou em cartaz em Maringá. Também não quero imaginar por quanto tempo o Homem Aranha ficará em cartaz.
A salvação dessa semana sem opções para o cinema, foi, talvez, a 4ª Edição do Festival de Cinema de Maringá, que além de ser gratuito, está exibindo mais filmes nacionais do que os cinemas maringaenses exibem em um ano. Isso sem falar dos curtas, que são coisas raras em Maringá.
Pela primeira vez vi uma sala exibindo um filme nacional e com todos os lugares ocupados. Talvez porque no festival de cinema só tinha uns 40 lugares ou talvez porque era de graça. Na melhor das hipóteses, o público tentou optar por algo diferente aos campeões de audiência norte-americano. Coisa que é difícil de se acreditar, já que “Ó, Pai ó” eu assisti sozinho e “Cheiro do Ralo” com mais no máximo dez pessoas.
Portanto, assim que entrar em cartaz algum filme nacional do seu agrado nos cinemas maringaenses, corra! Porque eles sempre passam por pouco tempo. Ou então, não vá, espere ele chegar em uma locadora (se é que isso vai acontecer) e pague um quarto do valor da entrada do cinema. (Thiago Oliveira)

Critica - Festival de Cinema

De 25 de maio a 1 de junho aconteceu em Maringá, no Centro de Convenções do Aspen Park, o 4º Festival de Cinema. A entrada foi franca. Oferecia ao publico mostra de filmes e também oficinas de fotografia no cinema, edição, produção, entre outros, também gratuitas. O festival foi destinado à população em geral, mas o publico universitário da área da comunicação esteve presente todos os dias.
Foi um evento favorável tanto para a organização do Festival quanto para os estudantes e profissionais da área. Um por oferecer conhecimento e despertar interesse nas pessoas, e, outro pelo público se sentir atraído por aquilo que esta sendo apresentado.
Os filmes exibidos são todos nacionais. Longas e curtas metragens. Os espectadores ao termino da exibição votavam nos quais achavam mais interessantes, pois além de ser uma amostragem, há uma avaliação e premiação de varias categorias dos filmes.
Nas oficinas, em particular a de cinema, foi feita toda uma introdução da parte técnica, que envolve nomenclatura e funcionamento dos equipamentos. Foram debatidas também as questões de luminosidade, que foi mostrado através de alguns filmes assistidos no curso.
É claro que, com um curso de uma tarde você não vai ser um fotógrafo cinematográfico, mais sim, ter uma base e um conhecimento artificial do que se trata a profissão. Para se tornar um profissional a pessoa além de cursos deve ser formado na área.
Os filmes em uma abrangência geral tratam-se de fatos do cotidiano. E são discutidos fatos da atualidade. Um exemplo disso esta no curta “Alguma coisa assim”, que trata de um adolescente, Caio, que não tem certeza de sua opção sexual, nem dos sentimentos para com a protagonista Mari.
Outro exemplo está no filme “Espeto”, que se passa em uma churrascaria onde os garçons são ambiciosos e invejosos. Tamanha ambição levou um personagem a matar o outro somente para ocupar o lugar dele. Passar de garçom de lingüiça para o tão desejado cargo de garçom de picanha. (Thábata Furtado)

Crônica - A primeira vez de Cory Lee

Cory Lee tem 17 anos, é estudante, usa óculos de lentes redondas, mini-saias pretas, meias listradas 5/8 coloridas, cinto de couro com rebite, camisa branca estilo anos 20 com mangas bufantes, alguns acessórios pendurados aleatoriamente pelo corpo dependendo do humor e da pressa. Garota inteligente, engraçada, amiga, descontraída, curiosa, um tanto neurótica e um pouco insegura. Tem um namorado da mesma idade, o Vítor.
Um belo dia de sol, poucas nuvens e passarinhos a cantar eis que surgem as fofocas no banheiro do colégio na hora do intervalo. Me refiro a conversas comuns entre garotas comuns de 16 anos.“O Eduardo me leva as alturas”, “meu namorado é um deus na cama”, “agora ele está usando camisinha comestível”, “transei com o carinha da balada”. E Cory Lee pensava “Meu deus como essas meninas estão adiantadas!”.
Vamos nos aprofundar um pouco mais na vida de Cory, e seu relacionamento com Vitor. Namoravam havia um ano e cinco meses, nada além de beijos e amassos. Não porque não quisessem, mas Vítor era tímido demais para demonstrar algum desejo e Cory era insegura e medrosa. O namoro era bastante sólido, com altos e baixos, mas sem brigas.
Cory confiava em Vítor, sabia colocar camisinhas em bananas graças à professora de biologia, freqüentava um ginecologista desde sua primeira menstruação, conversava com sua mãe a respeito de gravidez e anticoncepcionais. Não sentia pressão das amigas pelo fato de ser a única virgem (assumida) da sala. Sua maior preocupação: será que vai doer? É, este é o maior e, aparentemente, único medo das moças dessa geração. Mas não queria perguntar isso à mãe e muito menos ao médico de 77 anos.
Então Cory, super desencanada da vida, pede ajuda a tia Rita (aquela desbocada que sempre dá bafão na confraternização de Natal/Ano Novo. Todo mundo tem uma tia dessas). Conselhos da tia: “você só sente dor se ficar tensa, relaxa. Não vá com expectativas demais, o que conta é a excitação e muito carinho nas preliminares”. E o hímen? “Rompe e você nem sente. Relaxa minha filha, se essa é a sua única preocupação trate de despreocupar-se. Camisinha na mão e vá ser feliz.”No mesmo dia Cory marcou um cinema com o namorado. Dali seguiram para o apartamento que ele divide com um amigo. Cory era uma garota insegura, mas, também, muito impulsiva. (Renata Zibetti)

Fotolegenda - Descaso na Saúde Pública


A lotação dos hospitais é uma situação preocupante na saúde pública de Maringá. O frio é o um dos maiores causadores do aumento na procura durante essa época do ano, quando a falta de vaga fica ainda mais grave. O que faria um paciente em estado de emergência que não tivesse dinheiro para pagar uma consulta ou não possuísse um plano de saúde? Sem contar a falta de local adequado para a espera de atendimento. No momento em que foi tirada essa foto em um hospital público de Maringpa, haviam pessoas esperando doentes serem liberados sentados no chão gelado, enquanto o doente se recuperava em uma maca. (Mayara Gasparoto Mendes)

Notícia – Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor

O acordo internacional entre países da Língua Portuguesa propõe tirar acentos do vocabulário brasileiro. A proposta do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa tem por objetivo eliminar acento circunflexo e em alguns casos o acento agudo e, definitivamente, o trema, para unificar a escrita da Língua Portuguesa em todo o mundo, facilitando o uso do português em congressos, palestras e outras atividades internacionais. No Brasil entrará em vigor conforme a necessidade de reposição, tempo suficiente para impressão dos materiais didáticos e dos dicionários, informou o Ministério da Educação em nota de seu site.
Leliane Bassiga, monitora de redação do Colégio Nobel e professora da Escola Municipal Lázaro Ribeiro Vilela acredita que essas mudanças estruturais não trarão grandes problemas, porque o trema já se encontra em desuso há algum tempo. Já no acento agudo e circunflexo, ela acredita que o maior problema será na pronúncia, mas a palavra será facilmente identificada pelo contexto. “Creio que justamente por nossa língua ter muitas regras e exceções, essa exclusão será facilmente aceita pelos alunos”, afirmou Leliane Bassiga.
O acordo propõe a ausência do acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente indicativo ou do subjuntivo dos verbos e seus decorrentes, ausência também nas palavras paroxítonas terminadas em “o” duplo, como vôo. O fim do trema, que estará presente apenas em nomes próprios ou derivados. O acento agudo será suprimido para diferenciar verbo de preposição e também nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas.
O documento foi proposto em 1990 aos países-membro da Comunidade dos países de Língua Portuguesa (CPLP), que consistia em um Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Esse documento tinha sido assinado por cinco (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Timor-Leste e Portugal) dos oito participantes, recentemente São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Brasil também assinaram. (Tânia Caroline Mella)

Notícia: Frio castiga estudantes em Maringá

As baixas temperaturas, em Maringá, estão fazendo muitos alunos ficarem em duvida na hora de acordar e ir para a faculdade. Os ônibus estão sempre lotados de pessoas cheias de blusas e luvas e tudo o que ajude a esquentar e fazer o frio não incomodar.
Os alunos estão acostumados com o calor, que está sempre presente em Maringá. Mas, com a chegada de um outono mais frio do que anos anteriores, os estudantes acabam tirando as blusas e luvas do fundo da gaveta para conseguir se esquentar.
Ana Gabriela Martinez Fernandes, estudante do primeiro ano de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário de Maringá (Cesumar), afirmou que a pior coisa que existe é acordar com esse frio. Para ela, levantar da cama é praticamente impossível. Ela confessou que dorme com a roupa que vai usar no dia seguinte, pois fica difícil colocar todas as blusas no outro dia de manhã.
“Acho que a melhor parte, afinal, é que o ônibus está sempre lotado. Aí, pelo menos, fica quente. É o único lugar que eu não sinto frio de manhã, tirando a sala de aula“, declarou a estudante que garante odiar o frio.
Gilson Antonio Berto é estudante de Medicina Veterinária em Marília (SP) e estava em Maringá participando de um Simpósio de Medicina Veterinária. Ele disse que passou muito frio e que acabou “pegando” gripe por causa da baixa temperatura. “Eu não estava esperando um frio tão “forte” como o que encontrei nesta última semana”, disse.
Além da queda de temperatura, outra coisa que ajuda a aumentar o frio é o vento, que faz com que a sensação térmica seja bem menor que a marcada no termômetro. (J.C.Ortiz Júnior)

Notícia - Frio faz dobrar movimento em albergues

Foto: Walter Pereira
Joel Teixeira: "já fui discriminado por usar o albergue"




Em Campo Mourão o número de pessoas que procuram a entidade subiu de 15 para 30 por noite. Já em Maringá de 54 para 108


O frio dos últimos dias fez dobrar o número de pessoas que procuram um albergue para se proteger das baixas temperaturas. De acordo com José Wilson Arqueman, coordenador do Albergue Noturno José do Patrocínio, em Campo Mourão, em dias quentes cerca de 10 a 13 pessoas passam pela entidade. Com a chegada do frio, o número saltou para 25 e às vezes até 30. “É um aumento considerado alto”, explica.
Em Maringá, a situação não é diferente. De acordo com Alzira Zardo, coordenadora do Albergue Santa Luzia de Marilac, houve um aumento expressivo de pessoas que os procuram. “Nos dias quentes cerca de 54 pessoas passam por aqui. Com a chegada do frio o número foi para mais de 100”, revelou.
Em Campo Mourão, de acordo com Arqueman, pessoas em diferentes situações procuram a entidade. “Aqui aparece gente de todo jeito. Vêm idosos, jovens, homens, mulheres e até casais acompanhados com filhos”, frisa.
Segundo Arqueman, devido ao elevado número pessoas que procuram o albergue, a entidade está passando por algumas dificuldades. “Muitas vezes nos faltam produtos, principalmente materiais de limpeza. Já aconteceu de faltar outras mercadorias como toalhas e lençóis para cama. Embora a prefeitura e a população nos ajudem, sempre falta uma coisa ou outra. Pedimos a cooperação das pessoas. Elas podem nos ajudar doando alimentos, roupas, calçados, produtos de limpeza. Qualquer doação é bem vinda”, apela.
Os que pernoitam no albergue, tem direito a um jantar e café da manhã. Conforme Arqueman, durante o dia as pessoas desocupam a entidade para que seja realizada a limpeza do local. “Os únicos que podem permanecer, em alguns casos, são os idosos”, frisa. Arqueman explica que os usuários podem permanecer até três noites no albergue. “Há algumas exceções no caso de doentes. Estes ficam por aqui até serem tratados”, acrescenta.

Normas
De acordo com Arqueman, para que o usuário possa usufruir os serviços prestados pela entidade, é preciso seguir pelo menos duas regras básicas: não estar embriagado e preencher um formulário com dados pessoais e apresentação de documentos.
Arqueman lembra que o albergue recebe as pessoas de segunda a sexta-feira, das 17h às 23h. “O pessoal começa a chegar aqui por volta das 18 horas. Geralmente tem uns que chegam bem mais tarde, até de madrugada”, conclui.

“Albergados”
Roberto Carlos Miguel, 39 anos, mora em Tuiutaba (RS) e vai para Uberlândia (MG). “Vou visitar minha mãe. Soube que ela está com problemas de saúde”, justificou. “É a primeira vez que passo por Campo Mourão. Na verdade queria mesmo era ter dinheiro para poder dormir em um hotel. Porém tenho dificuldades financeiras e o que me resta é ficar aqui. Apesar de preferir um hotel, gostei da recepção. O Wilson foi muito educado comigo, estou feliz por isso”, disse sorrindo.
Desempregado, Carlos sobrevive dos chamados “bicos”. Ele disse que sua vida financeira em Tuiutuba é apertada. “Porém, isso não me atrapalha de ser feliz”. Carlos, que diz estar fazendo o 5º período do curso de direito, não sente vergonha em dizer que tem uma moradia graças à ajuda da prefeitura e que cursa a faculdade porque conseguiu acesso ao PROUNI (Programa Universidade para Todos). “Vergonha só devemos ter de roubar e matar. Não me sinto envergonhado em dizer que os outros me ajudam, pelo contrário me sinto feliz sendo assim”, comentou.
Questionado sobre sua família, Carlos disse sorrindo que se orgulha das duas filhas que tem. “Tenho duas filhas, uma de 13 anos e outra de 11. Uma mora em Uberlândia e a outra em Atibaia no interior de São Paulo”, revelou. “Atualmente estou separado”.
Com história de vida parecida a de Carlos, Joel Teixeira, 36 anos é o “homem do trecho”. “A minha vida é a estrada. Não paro muito nos lugares onde vou”, justificou. Teixeira é natural de São Carlos, interior de São Paulo. Ele está de passagem em Campo Mourão com destino à Florianópolis (SC). Teixeira explicou que sua andança não é por acaso. “Eu não paro porque preciso trabalhar”, resumiu.
Teixeira é pintor e não recomenda a vida que leva para ninguém. Segundo ele, a maneira em que vive é muito sofrida. “Como ando bastante, paro muito em albergues. Mesmo sendo bem recebido queria ter condições para não precisar vir parar aqui. Tem lugares que somos mal tratados. As pessoas não nos respeitam e tudo que quero é trabalhar”, desabafou.
Solteiro, Teixeira explica que há quatro anos ´roda o mundo´ sozinho. Há mais de 13 anos na estrada, ele comentou que já passou por muitos momentos ruins. “Um deles foi uma vez que tive que caminhar de Florianópolis a Sorocaba. Foi uma caminhada muito triste e cansativa”, lembrou.
Teixeira disse que já foi muitas vezes discriminado. “Já me chamaram de vagabundo só porque estava com uma mala nas costas e perguntei onde ficava o albergue. Isso me deixou muito chateado, pois, vagabundo sei que não sou. Eu trabalho e ganho meu dinheiro. Não preciso roubar. Deixo um recado para quem não conhece essa vida: nunca queiram conhecer. Só se for preciso. É sofrido demais”, finalizou.

Maringá
Em Maringá, a procura pelo albergue da cidade também aumentou nos últimos dias de maio. De acordo com Alzira Zardo, coordenadora da entidade, houve um aumento de aproximadamente 50% do número de pessoas. Normalmente, cerca de 54 pessoas passam pelo albergue. Porém, nos últimos dias, devido à queda na temperatura, o número saltou para 108. “É um número expressivo”, frisa.
Alzira revela que, com o aumento de pessoas, aumentam também as necessidades. “Estamos precisando de produtos de limpeza e toalhas de banho. É muita gente e o consumo aumenta”, ressalta.
Conforme Alzira, pessoas de diversas situações comparecem diariamente no albergue. “Há casos em que a polícia coíbe e encaminha algumas pessoas para cá. Há também os moradores de rua que nos procuram com freqüência”, explica. “É importante lembrar que pessoas de outras cidades e até de outros estados passam por aqui”.
De acordo com relatório repassado pela coordenadoria do albergue, no mês de maio, passaram pela entidade mais de duas mil pessoas sendo: 1460 de Maringá; 722 de outras cidades e 336 de outros estados. (Walter Pereira)

Reportagem - Superstição não é ignorância

Segundo o Novo Dicionário Aurélio da Folha de S. Paulo, superstição é um sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes. Ao contrário do que está no dicionário, o professor e sociólogo Gilson Aguiar disse que ser supersticioso não é ignorância. Para ele a superstição é uma forma de identificação da cultura. Claro que tem seus limites. “Os valores místicos não podem superar os racionais”, comentou Aguiar.
A cultura brasileira é riquíssima em superstição. Há influências de várias culturas como européias, indígenas e africanas. Alguns exemplos dessas influências foram comentadas por Aguiar. “Os amuletos, geralmente, vêm da cultura ocidental européia. As ervas estão relacionadas com os indígenas, que ainda utilizam das folhas como remédio alternativo e para benzimentos, já as magias e os feitiços vieram da cultura africana”.
O próprio Aguiar tem algumas manias que, para ele, podem ser considerada superstição. “Eu só uso meias brancas. Tenho problemas em usar meias de cores escuras, só utilizo quando realmente tenho que ir em algum evento. Também não gosto de mudar o caminho, quando eu mudo o trajeto de casa me sinto mal. Um dia eu mudei o caminho, há quatro anos, e bati o meu carro”.

Símbolo
A relação do ser humano com esse universo das crenças é mediada pela linguagem e pelo seu aspecto simbólico. “O objeto da crença não é um simples objeto, ele é um símbolo, pois liga um indivíduo a um grupo, cria uma coletividade e dá força a essa coletividade, então, o símbolo ganha um caráter de verdade”, explicou o psicólogo Calvino Camargo.
Camargo, que diz não ter nenhuma superstição, acredita que o sentimento mais importante gerado através da superstição é o sentimento de pertencimento. “Imagina que você acredita que o pé de coelho te dê sorte. Quando você observa alguém com um pé de coelho ninguém precisa dizer nada. O objeto em si se constitui num elemento de comunicação e de ligação. A superstição está ligada ao campo emocional” diz.
Ele acredita que as mulheres são mais propensas a serem supersticiosas. “Diz o ditado popular que os homens são mais racionais e as mulheres mais emocionais”. Mas o psicólogo faz questão de ressaltar que não há pesquisas, que ele conheça, comprovando essa tese.
Apesar do sociólogo se dizer supersticioso e o psicólogo afirmar que não é, os dois profissionais converge numa questão. Para eles a superstição é uma forma de identificação cultural e eles afirmam que não é difícil encontrar pessoas, que mesmo sem perceber, agem de alguma forma por acreditar que irão trazer sorte ou azar.



Conhecendo algumas superstições

Coceiras: Se a palma da mão direita coçar, é sinal que irá receber dinheiro. E se coçar a mão esquerda, pode esperar, pois uma visita desconhecida está para aparecer.
Você poderá arrumar as malas, caso a sola do seu pé coçar. Pois segundo os supersticiosos, isso significa viagem ao exterior.
Animais: Se você avistar um gato preto, cuidado. Se ele cruzar a sua frente algo ruim poderá acontecer.
Número: O número mais temido é o 13. Sexta-feira 13 é considerado um dia de azar.
Objetos: Mantenha seu guarda-chuva fechado dentro de caso, pois há quem acredite que se for aberto poderão acontecer problemas na família.
E se visitas indesejadas aparecer, colocar uma vassoura atrás da porta com o cabo para baixo, faz com que elas vão embora rápido.

Você possui alguma superstição?

Claudinei Pereira, pastor da igreja Presbiteriana Renovada (congregação da Mandacaru), diz que superstição é uma tradição que vem do passado, passando de pai para filho. “Para os cristãos não deveria existir, pois eles devem acreditar em Deus. Tudo o que acontece e tudo que fazemos, Deus está no controle”.





Rodrigo Bezerra Dalla Costa, estudante de psicologia da UEM – Universidade Estadual de Maringá, acredita que superstição é uma crença popular de que certos comportamentos, objetos ou entidades interferem nos acontecimentos do dia-a-dia. E acredita não possuir nenhuma superstição. (Amanda Amaral e Beatriz Kathleen)

domingo, 27 de maio de 2007

EDIÇÃO 10 - DE 20 A 27 DE MAIO

Editorial - Tempos nota dez

Vivemos tempos da décima edição do Inconstrução. Tempos para surgir uma nova doença, o sedentarismo. Considerada a doença do milênio por conta dos avanços tecnológicos e toda a praticidade que o mundo contemporâneo proporciona. Mas não apenas sedentarismo físico, estamos em tempos também do sedentarismo intelectual, afinal, no país em que Paulo Coelho é o autor nacional mais lido não nos impressiona a garota que chega ao cinema para assistir um filme nacional, mas é surpreendida pelo seu cancelamento e acaba por ver “Homem Aranha 3” ( que por sinal está em exibição em 6 das 10 salas de cinema de Maringá).
Mas não só de noticias negativas vive essa edição. Estamos em tempos também de renovação do vestibular, ou pelo menos um projeto (antigo) de renovação. Não sabemos ainda ao certo, em qual parte desse editorial caberia essa notícia. O sistema de adesão a uma Universidade pode ou não melhorar. E assim, como tudo no país tupiniquim, ele pode ou não ser efetivado.
Vivemos tempos também de oportunidades. Nossa reportagem conta que o número de deficientes no mercado de trabalho está aumentando. Estamos em tempos de transição da nossa cultura, que sem duvida tem vez nesse editorial. Tempos em que o underground é a bola da vez. Tempos em que uma banda alternativa lota uma casa noturna de segundo escalão. Banda essa brasileira, mas que bomba no cenário londrino (sim, de Londres, Inglaterra, não Londrina, Paraná).
Mas como não queremos ficar valorizando estrangeirismos, vivemos também tempos de Femucic, tempo esse de valorizar a música cult, a música regional, a música cantada em dialetos fantasiosos, enfim, valorizar o que há de melhor no Brasil. Como no Femucic, a décima edição do blog procura valorizar o povo brasileiro. (Lizandra Cortez Gomes)

Artigo - Sedentarismo versus atividade física e saúde

Dependência do controle remoto, dependência do carro, do telefone, dos aparelhos domésticos, da tecnologia como um todo, dependência de produtos industrializados... dependência do consumismo. O que é isso? É a chamada doença do próximo milênio: sedentarismo, e o que foi citado acima são, simplesmente, as conseqüências.
Devido ao avanço da tecnologia, o consumismo criado pelo estilo de vida moderno, faz com que o ser humano precise pouco ou quase nada de esforço físico para obter meios de sua necessidade. Ir até a padaria da esquina a pé, por exemplo, tornou-se tão raro quanto levantar do sofá (ou de onde for) para mudar o canal da TV. A mesma coisa acontece com o sistema “delivery”, em que o alimento que deseja comer vem até você, basta simplesmente pegar o telefone. Esses confortos da vida moderna acarretam em uma maior substituição das atividades ocupacionais que demandam um determinado gasto calórico.
O computador, por sua vez, é um dos fatores de mudança de comportamento atual das pessoas. Elas ficam horas e horas em frente à máquina. O relacionamento com as demais pessoas ficou virtual, o namoro passou a ser também virtual.
Mas, infelizmente, não dá para imaginar a ausência do computador nos dias de hoje. Ele adquiriu uma importância significativa em determinadas áreas.
A junção de pouca ou nenhuma atividade física com o consumo de alimentos hipercalóricos leva a sérios problemas de saúde, como doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade.
A obesidade é um grande problema. Não mais só dos adultos, o número de crianças obesas cresceu muito nos últimos tempos. Segundo a nutricionista Claudia Juzwiak, em um artigo da revista Ana Maria,“entre as causas dessa enfermidade estão a maior exposição dos jovens a alimentos ricos em gordura e açúcares, e o seu estilo de vida sedentário”. Ela completa dizendo que o melhor remédio para isso tudo é a prevenção. “É importante que todos aqueles que convivem com a criança, desde a família até o colégio, participem de forma ativa em sua educação alimentar”, disse a nutricionista.
O artigo ainda traz toques e dicas para melhorar a alimentação da criança, como tomar café da manhã antes de ir à escola (pois isso também ajuda a ter mais concentração nas aulas), levar lanche de casa, permitindo aos pais controlar a qualidade do alimento e, dado com maior importância, a intervenção e principalmente o exemplo de uma boa alimentação vinda da própria família.
Claudia dá dicas para um estilo de vida mais saudável. “Brincar de pega-pega, esconde-esconde e bola é um jeito gostoso de gastar calorias”, diz ela e termina dizendo que “ver TV, além de ser uma atividade sedentária, expõe a criança a comerciais de vários alimentos calóricos, estimulando sua ingestão”. (Mariana Grossi)

Crítica - O monopólio aracnídeo

Neste mês de maio, o mais recente filme do Homem-Aranha lotou as salas de cinema de todo o Brasil. “Homem-Aranha 3”, um dos filmes mais aguardados do ano, pode ser considerado o melhor da série dirigida por Sam Raimi.
Peter Parker, ou o Homem-Aranha (Tobey Maguire), estava em um ótimo momento de sua vida. Sua carreira como fotógrafo no jornal estava crescendo, seu namoro com Mary Jane (Kirsten Dunst) estava prestes a virar casamento e o Homem-Aranha era idolatrado por toda a cidade. Os problemas de Parker começam quando Mary Jane, após crises existenciais, se sente incompreendida por ele e Harry Osborn (James Franco) decide se vingar do Homem-Aranha por causa da morte de seu pai. A entrada de Eddie Brock (Topher Grace) no jornal, que tem como objetivo subir na carreira de fotógrafo destruindo a imagem do Homem-Aranha e o surgimento de uma nova admiradora de Parker, agrava ainda mais a situação.
Além disso, Parker entra em contato com uma criatura extraterrestre que desperta o ódio e a sensação de poder nas pessoas. Essa criatura, Venom, através de simbiose se apodera do corpo de seu hospedeiro fazendo com que suas ações não possam ser controladas.
A partir daí, o Homem-Aranha passa a vestir sua roupa preta e Parker a tomar atitudes politicamente incorretas. É simplesmente hilário ver o “nerd” Parker agindo como o novo “garanhão” de Nova York. Entretanto, suas más ações destroem tudo o que ele considera importante em sua vida.
Sugiro às moças que arrastem seus namorados até o cinema para que estes aprendam com a sábia Tia May (Rosemary Harris) como um marido ideal deve ser! O filme está recheado – chegando a exagerar - de frases de efeito e mensagens que exaltam a paz, o amor, a amizade e o perdão. E aí não podemos deixar de citar a participação de Flint Marko, o Homem-Areia (Haden Church), mais um vilão, que ensina Parker a perdoar.
Para os amantes dos quadrinhos, o terceiro filme se torna especial por trazer em cena três vilões em uma única saga, apesar de a história fugir muito da versão original. Além do Homem-Areia e de Harry Osborn, ex-amigo de Peter Parker, o longa traz Venom, um dos vilões mais famosos de Homem-Aranha.
As longas e bem feitas cenas de ação são as responsáveis por tornar este terceiro filme, que tem como slogan “a maior batalha será interna”, o melhor da série até agora – sim, até agora, porque está previsto mais um!
Mesmo sendo um filme divertido e o mais caro já produzido por Hollywood, sinceramente não encontrei muitos motivos, a não ser a busca desenfreada por lucros, para que tantas salas de cinema fossem separadas exclusivamente para ele, chegando inclusive a tirar por um dia o brasileiro “Ó pai, ó” de cartaz em Maringá.
Em Bauru, São Paulo, ônibus decorados com motivos do Homem-Aranha passaram pela cidade levando a população para assistir o longa gratuitamente. Nunca ouvi relatos de isso ter acontecido com filmes nacionais... (Lívia Miranda)

Fotolegenda - Jessier Quirino


O poeta e cantador paraibano Jessier Quirino participou do lançamento do Movimento de Resgate da Tradição Cabocla, que se realizou no Sesc na última quarta-feira. Segundo Silvia Goya, presidente do Conselho Municipal de Turismo, o movimento faz parte de um trabalho voluntário que busca resgatar o pensamento popular e as histórias que fizeram parte da formação da cidade. Quirino, que também estará na próxima minissérie da Globo “A Pedra do Reino”, vem realizando através da poesia e da música o mesmo trabalho de tornar conhecido as tradições dos matutos nordestinos pelo Brasil todo. Segundo ele, o resgate do pensamento popular é uma forma de valorizar a memória e a identidade do nosso próprio povo. O Movimento de Resgate da Tradição Caboclo recebe apoio das Faculdades Nobel, Acim e Sesc Maringá. (Mateus Fiquer)

Entrevista - Depois de cinco anos na Inglaterra, os paranaenses do Tamborines se apresentam no Brasil

Fernanda Inocente
The Tamborines em sua apresentação no Tribo's Bar, em Maringá



Desde 2002 residindo em Londres, a banda The Tamborines, formada pelo curitibano Rodrigo Thur (bateria) e pelos maringaenses Henrique Laurindo (guitarra e vocal) e Luciana Nozaki (teclado, sintetizadores e percussão), tem se destacado no circuito alternativo londrino e arrancado fortes elogios do público e da mídia, chegando a receber ótimas críticas em veículos como a BBC, a NME e a Drowned In Sound.
Com influências de bandas como My Bloody Valentine e The Velvet Underground, o resultado não poderia ser outro. A receita para tanto sucesso é uma mistura do rock psicodélico com o rock alternativo britânico, muito bem traduzidos pela guitarra barulhenta e pelos sintetizadores.
A banda surgiu em 2000, na época composta por cinco integrantes, que juntamente com o selo carioca Midsummer Madness lançaram o EP “Dressed Up To Better Feel The Sun”, porém dois anos mais tarde a banda chegava ao fim, ou era o que parecia.
Em 2005 os Tamborines voltaram a atividade com tudo, lançaram dois EPs na Inglaterra, com participações de Frank Teardrop do Brian Jonestown Massacre, e Mark Gardener do Ride, além do produtor Brian O’Shaunghnessy, que já trabalhou com Primal Scream, My Bloody Valentine, entre outros.
Depois de cinco anos no exterior e com um belíssimo currículo na bagagem, os Tamborines voltaram ao Brasil e fizeram quatro apresentações no mês de maio, em Curitiba, Londrina, Maringá e Ribeirão Preto, mostrando que o reconhecimento que eles têm lá fora é, de fato, merecido.
Em entrevista exclusiva, Henrique comenta um pouco mais sobre essas e outras experiências. (por Fernanda Inocente)

Fernanda: O nome da banda, The Tamborines, é uma referência à música “Mr. Tambourine Man”, do Bob Dylan?
Henrique: Na verdade, não. Mas nós adoramos Bob Dylan.

Fernanda: Quando a banda surgiu, era composta por cinco integrantes que faziam um som diferente do que o Tamborines faz hoje. Como era o som de vocês naquela época, e o que levou à mudança?
Henrique: Na época queríamos fazer algo grandioso, como Tindersticks e afins. A banda acabou em 2002, quando o então baterista Renato Tezolin resolveu sair da banda. Quando decidimos voltar a tocar, três anos depois, nós já éramos pessoas diferentes, conseqüentemente o som evoluiu.

Fernanda: Enquanto vocês estavam no Brasil, lançaram o EP "Dressed Up To Better Feel The Sun" pelo selo Midsummer Madness e com distribuição da Candy Records. Qual foi a repercussão desse EP por aqui?
Henrique: Apesar das limitações foi bacana, imagino. Mas nós não fazíamos muitos shows então a coisa se restringiu a pequenos círculos mesmo.

Fernanda: O que levou o Tamborines a se mudar para a Inglaterra? Já tinham alguma proposta de trabalho por lá ou foram tentar a sorte mesmo?
Henrique: Na verdade fomos por outros motivos, profissionais mesmo. Tanto que só começamos os Tamborines por lá em 2005, enquanto outras bandas na mesma situação já entraram com tudo na cena.

Fernanda: Como foi a recepção do público londrino com os Tamborines a princípio? Rolou preconceito com a banda pelo fato de serem brasileiros?
Henrique: Sempre foi muito positiva, estamos em uma posição boa por lá.
Foto: Fernanda Inocente
Fernanda: Na Inglaterra vocês lançaram o single "What Took You So Long/The Great Vision" pela Decadent Records, e recentemente o single ''Sally O'Gannon/Be Around'' pela Sonic Cathedral. Ambos renderam ótimas críticas em diversos meios de comunicação britânicos de respeito. Como vocês se sentem recebendo elogios desses veículos? Essa aceitação por parte do público e da imprensa era esperada?
The Tamborines em sua apresentação no Tribo's Bar, em Maringá.Henrique: Nos sentimos respeitados. Esse reconhecimento é fruto de nossa convicção, do entendimento e honestidade no que fazemos. Quanto a ser esperado, sim. Sempre soube que por lá as coisas seriam diferentes.

Fernanda: No single "Sally O'Gannon/Be Around" vocês contam com a participação especial de Frank Teardrop do Brian Jonestown Massacre, e de Mark Gardener do Ride. Como foi gravar com esses grandes nomes da cena alternativa mundial?
Henrique: Ótimo! Mas uma coisa é preciso ser dita: o single já é clássico sem Mark ou Frank. O fato deles se oferecerem pra tocar no single só mostra que nosso trabalho é sério e de qualidade.

Fernanda: Depois de cinco anos fora do Brasil, como é estar de volta? Como foi para o Rodrigo tocar em Curitiba? E como foi para você e Luciana tocarem em Maringá?
Henrique: Nossa casa é Londres. Mas tocar em Maringá e Curitiba foi muito bom, principalmente por poder rever grandes amigos.

Fernanda: Essa mini-turnê brasileira tinha na agenda apenas quatro shows, sendo três deles no Paraná. Vocês pretendem voltar ao Brasil com uma turnê mais extensa, que percorra mais estados e regiões?
Henrique: Difícil falar. Nós viemos mesmo passar férias no Brasil, se rolar algo mais sério, tocaremos sim. Mas enquanto houver promoters como uns e outros de Londrina, que sempre dão balão, aí a coisa complica.

Fernanda: Voltando para a Inglaterra, quais são os planos para os Tamborines?
Henrique: Continuar nosso trabalho por lá, lançar discos, tocar, enfim...


Para ouvir as músicas e assistir ao clipe de Sally O’Gannon acesse: http://www.myspace.com/thetamborines

NOTÍCIA - VESTIBULAR PODERÁ SOFRER MUDANÇAS

A Comissão de Educação do Senado Federal discutiu com técnicos e professores mudanças na forma de acesso às universidades. A reunião do último dia 16 teve como pauta o projeto de lei do senado no 116/06 de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que propõe a substituição da forma atual de ingresso nas universidades federais, do modo tradicional de prova única, para avaliações aplicadas ao longo do ensino médio. Em Maringá, o tema divide opiniões entre os educadores.
O programa de avaliação seriada consiste na aplicação de exames em três etapas, uma prova ao final de cada série do ensino médio. De acordo com o projeto de lei apresentado pelo senador, o vestibular seriado não irá substituir o processo tradicional, que continuará a existir como parte do processo seletivo das instituições. Inicialmente as mudanças alcançariam apenas as universidades federais, mas que também visariam todas as instituições mantidas pelo poder publico.
O senador pedetista escreveu no projeto de sua autoria, as vantagens da mudança do ponto de vista pedagógico. Dentre elas a redução do nível de tensão imposto aos candidatos, quando comparado ao vestibular tradicional; valorização do conhecimento adquirido logo após a sua assimilação; redução da carga de conteúdo curricular a ser avaliado em cada exame; estímulo ao estudo mais sistemático por parte dos estudantes; estimula a busca de ingresso na universidade a alunos que não pensavam submeter-se ao vestibular; criação de oportunidade, aos estudantes, professores e escolas para corrigir falhas e redirecionar os estudos, a partir dos resultados alcançados.
A coordenadora do colégio Nobel de Maringá, Elenita Giraldeli Sala, afirmou ser grande admiradora do senador Cristovam Buarque, no entanto não considera que as mudanças possam surtir efeitos. “Não muda muita coisa, independentemente do sistema, a preparação é o que importa”.
O professor de história de ensino médio e fundamental do Colégio de Aplicação Pedagógico (CAP), Fernando Américo de Souza Lopes, acredita que a forma tradicional de vestibular não privilegia a interpretação de texto e o conhecimento, mas sim a informação decorada e mastigada. “O sistema atual permite que apenas uma restrita parte da população tenha acesso as universidades publicas”, disse o professor.
Enquanto os professores, educadores e pedagogos discutem os rumos da educação no país, os estudantes apressam-se em estudar toda a matéria, pois, mesmo se as mudanças fossem aprovadas, o próximo vestibular de inverno da UEM (08 a 10/07) será realizado em seu modelo tradicional.
Vanessa de Cássia, 18, estudante do curso extensivo do Colégio Nobel disse não estar informada sobre as possíveis mudanças no vestibular. “Acho que é injusto (vestibular tradicional), deveria ser por análise de currículo”, opina. A estudante Kelly Yurica, 18, concorda com a amiga. “Mas como não podemos fazer nada, só resta estudar”, ressalta. Ambas lutam por uma vaga no curso de medicina, que no próximo vestibular terá concorrência de 181,06 candidatos por vaga. (Ivan Nishi)

Reportagem - Pessoas com deficiência querem espaço no mercado de trabalho

Lei que garante vagas não é cumprida por todas as empreas. Além do preconceito há falta de qualificação profissional
Corbis.com
Qualificação profissional é essencial



Existe uma lei, no Brasil, que obriga empresas com mais 100 funcionários a contratar um percentual de pessoas com deficiência. Mas o mercado de trabalho, em geral, ainda resiste. Apenas na Agência do Trabalhador de Maringá existem mais de 310 pessoas no programa à espera de uma oportunidade profissional.
Uma das principais dificuldades ainda é o preconceito. Entretanto, segundo a deficiente visual Ana Carmem Dias, especialista em Educação Especial e coordenadora do Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência (PPD), da Agência do Trabalhador de Maringá, nem todos candidatos estão aptos às vagas, devido à falta de qualificação profissional.
O PPD tem por objetivo incluir a pessoa com deficiência na sociedade através do trabalho. “O Programa trata-se de uma intermediação entre os empresários e as pessoas com deficiência”, disse Elza Luciano, Supervisora Técnica do PPD. De acordo com um folheto da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA), 14% da população de Maringá, percentual correspondente a aproximadamente 45 mil habitantes, são pessoas com algum tipo de deficiência e/ou com mobilidade reduzida.
Segundo a Secretaria de Trabalho, Emprego e Promoção Social (SEPT), o PPD foi responsável pela colocação de 2.056 trabalhadores com deficiência no mercado formal paranaense, em 2006. Número que apresenta uma tendência de crescimento nos últimos anos.

PRECONCEITO
Segundo Ana, muitas vezes a falta de emprego para a pessoa com deficiência deve-se principalmente ao preconceito. “Existem aquelas pessoas que não têm escolaridade, qualificação profissional, e consequentemente acaba dificultando entrarem no mercado de trabalho. Mas também existem aquelas pessoas que possuem uma faculdade, são preparadas e estão na lista de espera”, disse. “O preconceito nada mais é do que a falta de informação sobre determinado assunto, que é gerado pelo fato de não haver convivência com a pessoa com deficiência”, ressaltou.
De acordo com Ana, o PPD tem em média 310 pessoas cadastradas, e quando, a pessoa com deficiência deseja se engajar no mercado de trabalho preenche um cadastro de motivação e empreendorismo. “Quando as empresas nos procuram para saber qual é o tipo de vaga que estão disponíveis, analisamos qual seria a pessoa certa para exercer a função que a empresa deseja”, enfatizou. “Se a empresa precisa de uma telefonista, a pessoa com deficiência visual pode perfeitamente ocupar o cargo, assim como também uma pessoa que possui deficiência física ocupar um cargo no setor administrativo”, argumentou.
Ana também disse que o PPD oferece um trabalho de suporte às empresas, no sentido de promover palestras com orientações e informações sobre vários tipos de deficiências para incluir os portadores de necessidades especiais no mercado de trabalho.
Pedro Malaquia dos Santos é um dos empregados mais velhos da Agência do Trabalhador. Trabalha como atendente há 21 anos. “Sou deficiente físico desde nascença. Só consegui trabalhar quando tinha 28 anos. Meu primeiro emprego foi aqui. Foi muito difícil chegar aonde cheguei. Sempre que ia procurar emprego diziam que a vaga já estava preenchida, outros diziam que era preciso subir escadas, várias desculpas... mas eu sabia que eram mentiras”, afirmou. “Chegava em casa triste e desanimado, pois sempre eram as mesmas respostas. O PPD não vai atender a pessoa com dó. Eles a tratam com capacidade, não deixando ela constrangida.Todos nós somos iguais, não há necessidade de sermos tratados diferentes”.

LEIS
Existem quatro tipos de deficiências: a física, cognitiva (mental), sensorial (auditiva e visual) e a deficiência múltipla (duas ou mais deficiências ao mesmo tempo). Segundo a lei 8.213 de 1991, as empresas com 100 ou mais funcionários são obrigadas a preencher entre 2% a 5% dos seus cargos com pessoas portadoras de deficiência.
De acordo com Patrícia Teixeira, Assessora Jurídica da Promotoria do Meio Ambiente e Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, a função da Promotoria é cuidar da parte que envolve denúncia e preconceito contra as pessoas com deficiência. “Nós agimos a partir do momento que um grupo significativo de pessoas com deficiência nos procura por se sentirem de alguma forma prejudicados na empresa, principalmente se forem discriminados”, comentou.
Mônica Thafila, estagiária da Promotoria, disse que a empresa que desrespeita essa lei é indiciada na Agência do Trabalho e responde a um processo. “Não se sabe ao certo a multa que essa empresa terá. É subjetivo. Cada empresa tem uma punição, vai depender das condições financeiras da empresa, o número de funcionários, entre outros fatores”.



Legislações e definições



Uma pessoa com deficiência, segundo a cartilha do Trabalhador com Deficiência e Mercado de Trabalho, disponível na Agência do Trabalhador de Maringá, é apresentada como aquela que apresenta, em caráter permanente, perdas ou anormalidades de sua estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, que geram incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano. Apesar dessas dificuldades, um deficiente tem tanta capacidade de fazer parte do mercado de trabalho como qualquer outra pessoa. Para que isso seja aceito existem Leis que amparam o deficiente.
O núcleo de Apoio às Necessidades Especiais (Nape), da Delegacia Regional do Trabalho (DRT/PR), auxiliou na inclusão de 289 pessoas com deficiência (PCD) no ano de 2006. Um número que cresceu em relação ao ano anterior.
O descumprimento da lei pode levar os empregadores a pagar uma multa no valor de no mínimo R$ 1.156.83 por funcionário, podendo este valor ser acrescido de 40% de acordo com o porte da empresa. (Fabiane de Souza e Aline Bueno)

domingo, 20 de maio de 2007

EDIÇÃO 9 - DE 20 A 27 DE MAIO

Editorial - Maringá completa 60 anos

Dia 10 de maio a cidade de Maringá completou 60 anos. Localizada no norte do Paraná tem cerca de 300 mil habitantes e é conhecida como a Cidade Canção e está entre as cinco cidades mais tranqüilas para se morar no Brasil, dado divulgado no ano passado por uma pesquisa realizada pelo programa Fantástico da Rede Globo.
A cidade atrai turistas de toda parte, pois tem como alguns pontos turísticos a Catedral Nossa Senhora da Glória, com uma arquitetura impar, o Parque do Ingá, com zoológico e reserva florestal e o teatro Calill Haddad no qual se concentra grande parte dos eventos culturais da cidade.
Mas claro que, Maringá não pode ser vista somente pelo lado positivo. Existe um grande fluxo de pessoas vindas da região, pelo fato da cidade ser uma metrópole. Não apenas isso, mas vários outros motivos vêm acarretando no aumento da marginalidade e criminalidade na cidade.
Por que será que uma cidade com tantos méritos está ficando assim? Será reflexo do aumento da população? Ou então Maringá chamou a atenção dos marginais por estar entre as cinco cidades mais tranqüilas de se morar no país?
Todas essas perguntas estão presentes na vida da população que deve estar se questionando, como uma cidade tão jovem e tão prestativa está ficando assim.Por esses motivos, a população deveria se conscientizar em preservar a cidade. Isso não é uma missão impossível. As pessoas podem começar a ajudar cuidando de suas casas, rua, bairro, e claro, incentivando seus filhos a freqüentarem a escola, pois assim eles ficarão mais distantes da marginalidade. Pode parecer uma coisa clichê, mas eles são o futuro do país. ( Thábata Furtado)

Artigo - “O Papa é Pop”

Desde o começo de maio a mídia só sabe informar sobre a vinda do Papa Bento XVI ao Brasil. A vida dele, onde nasceu, cresceu, o que fez na vida. A mídia mostra tudo, desde o interior do papamovel até o lugar em que o Papa irá dormir enquanto estiver neste país.
A investigação é geral. Mostra a vida de Frei Galvão que será canonizado e seus milagres, o padre que irá tocar piano para Bento XVI e até a dona de casa que vai apenas assisti-lo pela televisão, pois não tem condições de chegar perto dele, já que há um milhão e meio de brasileiros e estrangeiros esperando pelo Papa há um mês em Aparecida do Norte (SP).
Enfim o Papa chegou ao Brasil, no dia 09 de maio, quarta-feira, exatamente às 16h:02 e todos os canais pararam sua programação para mostrar a tão esperada visita. A Globo, que exibiu o “Visita do Papa”, não perdeu sequer um minuto desde o avião pousando até o Papa descendo e cumprimentando o Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, junto com a primeira dama. Muda-se de canal e está lá, na Bandeirantes “Papa Bento XVI acaba de chegar ao Brasil”. Coloca na SBT, Rede Vida, etc e é tudo a mesma coisa.
O dia passa e a grande agitação ainda é o Papa Bento XVI, mas afinal o que o Papa veio fazer ao Brasil? Canonizar o tal Frei? Rezar missa? Conhecer o Brasil?
Realmente a mídia não mostra a verdade. Não mostra que Bento XVI veio ao Brasil não só para canonizar Frei Galvão, veio também para 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe e discutir assuntos tais como: o aborto e pílulas anticoncepcionais dentro do matrimônio. Veio aqui para conversar com os jovens e ver a opinião deles sobre a violência, fé e religião no Brasil. E quem prestou atenção nos jornais viu que o Papa está apenas visitando paises pobres e acredito que o Brasil seja um, já que Bento XVI revelou antes de ir que se preocupa com tanta pobreza neste país.
Não há sequer um jornal que fale dessa Conferência, quer dizer, falar até falam, mas não como deveriam, não se aprofundam nas questões discutidas pelo Papa e pelos bispos. Contam apenas por onde Bento XVI foi em tal dia, fez tal coisa em outro, passeou e conversou com mais não sei quem.
Não mostram como são importantes as questões levantadas nessa Conferência e de como irá influenciar no Brasil e a América Latina. Quando o Papa disse: “deveria ter conhecido a Igreja brasileira antes”, foi aquela agitação. Então a mídia saiu dizendo que o Papa amou o Brasil.
Pode ser que sim, pode ser que não, mas ninguém presta atenção nas outras coisas que o Papa diz, tais como: que o Brasil está sofrendo com a pobreza, que ele não concorda com o sexo por prazer e as pílulas anticoncepcionais dentro do matrimônio, não se aprofundam na questão da fé brasileira e que os brasileiros precisam renovar a vida cristã.
Enfim, será que o jornalismo hoje em dia está querendo mostrar a realidade do Brasil ou está querendo esconder para que não nos preocupemos? Será que ela se preocupa também?Chegou então o dia 14 de maio, segunda-feira, o Papa foi embora e ainda continua a questão: o que o Papa veio fazer ao Brasil mesmo? (Ana Cláudia Covo)

Crítica - “Jarhead – Soldado Anônimo”

Do mesmo diretor de “Beleza Americana”, Sam Mendes, e distribuído pela UIP (United Pictures International) em 2006, “Soldado Anônimo” é baseado no livro do soldado americano Anthony Swofford (protagonizado por Jake Gyllenhaal), e mesmo pertencendo ao gênero de guerra e drama, consegue trazer um visão sobre a disputa, a guerra e os interesses econômicos envolvido com o petróleo, numa crítica aos Estados Unidos.
Os homens treinados são fuzileiros e são designados a funções como observadores e atiradores. Esses fuzileiros aprendem desde adorar o fuzil de cada um e são até mesmo persuadidos a dizer aos repórteres que estão sendo bem tratados. Mas, na verdade, são cruelmente preparados para enfrentar uma guerra, apanhando de seus superiores e alguns chegam até mesmo a morrer nos treinamentos.
Outro assunto muito enfatizado no filme, é a carência dos fuzileiros. Eles parecem ter a sensação de estarem vivendo outro mundo, outro momento. Isso porque suas famílias continuam a viver normalmente, suas namoradas e esposas se relacionarem com outros homens, não levando em consideração que os fuzileiros ainda estão vivos. Acreditam que eles não sobreviveram a guerra.
A guerra em questão é a Guerra do Golfo, que aconteceu na primeira metade da década de 1990. Uma guerra rápida e sem muitas emoções, onde não há um combate direto entre homens, mas sim os meses em que os soldados passam no Kwait protegendo o petróleo, graças a possessão de Bush, relatando sobre o vazio e a rapidez do conflito. Porque quando você acredita que a ação vai começar, vem o anti-clímax e o filme simplesmente termina.
Diferentes dos filmes produzidos por Sam Mendes, seu primeiro filme de guerra não tem muitas emoções e tem alguns pequenos defeitos como a aparição de um cavalo sozinho em meio ao deserto numa chuva de petróleo. O filme não é dos melhores, mas ainda sim poder ser indicado como uma sugestão de filme regular a ser assistido. (Tânia Caroline Mella)

Fotolegenda - Assoreamento forma ilhas no parque do lago de C. Mourão


O assoreamento do Parque do Lago em Campo Mourão é um dos principais problemas que o lago artificial está enfrentando desde sua revitalização, há 12 anos. Atualmente, devido ao grande acúmulo de terra, parte do lago está tomado por ilhas. Segundo o coordenador geral do município, César Stanziola, foi feita uma solicitação para o governo estadual, que ofereceu um recurso de aproximadamente R$ 90 mil para fazer o processo de dragagem. Como o custo para a obra será bem maior, a prefeitura entrará novamente em contato com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) para tentar resolver o problema. Stanziola afirmou também que o município está fazendo estudos para a recuperação do parque. (Walter Pereira)

Notícia - Filme 100% maringaense

A atriz Priscila Buiar, de "A Garota da Loja de Livros"

No dia 30 de abril estreou, no Teatro Calil Haddad, o curta-metragem “A Garota da Loja de Livros”, escrito e dirigido por Eliton Oliveira. O filme foi produzido através da Lei Municipal de Incentivo a Cultura, que deu R$ 30 mil para a produção, e de mais alguns patrocínios particulares.
A Garota da loja de Livros é totalmente maringaense, porém, de acordo com o roteirista e diretor, um próximo trabalho na cidade dificilmente terá essa característica, porque são muitas as dificuldades de se produzir um filme aqui. Oliveira diz que Maringá ainda é muito deficientes em diversos aspectos técnicos. “Não temos bons estúdios de som para realizar a gravação de trilha sonora, por exemplo”.
Outra dificuldade encontrada pelo diretor foi arrumar meios de exibir o seu filme. “As dificuldades de exibições estão sendo bastante desanimadoras, principalmente em Maringá, onde eu esperava muito mais”, afirma. Oliveira explica que o curta metragem foi feito para ser exibido em escolas e faculdades, com intenção de proporcionar um debate sobre a produção após a exibição do filme, porém, as instituições com as quais ele entrou em contato não demonstraram interesse.
De acordo com Maria Angélica, diretora de produção do filme, a intenção é exibir o filme também em festivais no Brasil e no exterior, sendo que o curta já foi inscrito em alguns desses eventos. Entretanto,algo que surpreendeu os produtores da “Garota da Loja de Livros”, foi o edital dos filmes selecionados para a quarta edição do Festival de Cinema de Maringá ter excluído o curta. “Devem ter detestado o filme, achado ele uma grande porcaria, só isso pode explicar porque deixaram esse trabalho pioneiro por Lei de Incentivo à Cultura em Maringá, de fora”, lamenta Oliveira.
Andye Iore, jornalista e membro da comissão julgadora da quarta edição do Festival de Cinema de Maringá, explicou que o festival não é um evento apenas para filmes maringaenses, mas um festival nacional que recebe filmes de todas as partes do país. “Não teríamos que selecionar o filme (A Garota da Loja de Livros) só por ser (produto) de lei de incentivo ou por ser maringaense. Há vários aspectos que são avaliados” explica. Segundo Iore , o filme não foi classificado por apresentar problemas com os direitos autorais das músicas utilizadas na trilha sonora. Outros filmes, além da “Garota da Loja de Livros”, apresentaram o mesmo problema, e por isso, também, não foram classificados.
Mesmo com os problemas enfrentados e as dificuldades na hora de exibir seu filme, Oliveira não desanima e já apresenta um novo projeto, segundo ele 10 vezes mais complicado que “A Garota da Loja de Livros”. “Será um longa-metragem, que estou escrevendo, e se chamará ‘Yasmin’”, concluíu Oliveira. (Thiago Soares)

Notícia - Horário da biblioteca gera reclamações

A Biblioteca Municipal Bento Munhoz da Rocha Netto, mais conhecida como Biblioteca Central, atende há 32 anos a comunidade de Maringá. Hoje, existem mais de 15 mil leitores com mais de 14 anos que se utilizam dos acervos e participam das atividades da biblioteca. Mesmo assim enfrenta uma série de problemas, principalmente o horário de atendimento.
A leitora Nadir Medrado, pela primeira vez que entrou na biblioteca disse ter ficado satisfeita com o atendimento, mas fez uma reclamação relacionada ao horário de funcionamento. Não faz muito tempo, a biblioteca passou a funcionar das dez da manhã às quatro da tarde devido ao corte de funcionários por falta de verba. “Uma cidade com tantos estudantes, conhecida como cidade universitária, deveria ter uma biblioteca disponível por mais tempo”, afirmou Nadir.
A estudante Larissa Yahamada, concorda com Nadir quando o assunto é o horário de funcionamento. “Não tenho reclamações, os funcionários nos atendem bem, mas a biblioteca deveria permanecer mais tempo aberta”, afirmou Larissa.
Segundo Fernanda Mecking, Gerente de Produção de Leitura, o horário de funcionamento voltará a ter uma atendimento das 8h às 18h. Ela explicou que isso é uma questão de tempo, até a contratação de novos funcionários. Outra mudança anunciada por Fernanda é a construção de uma nova biblioteca, mas é algo que ainda na fase de projeto. “Quando foi construída essa estrutura, em 1975, era um dos prédios mais modernos, hoje, a biblioteca está com problemas na estrutura e, também, falta espaço”.

Em busca de leitores

Vários projetos estão sendo desenvolvidos, em Maringá, por pessoas que acreditam em uma melhora de vida através da leitura. Uma destas atividades é coordenada pela Gerente de Produção de Leitura, Fernanda Mecking, nas bibliotecas de Maringá.
O Clube da Leitura é um desses projetos e visa promover o debate sobre uma obra e autor. Mecking comentou que a faixa etária que menos se interessam por leituras vai dos 11 aos 15 anos, por isso os funcionários promovem uma gincana sobre algum livro escolhido. As crianças que não leram a obra e que estão em ritmo de competição, começam a se interessar pela leitura. (Amanda Amaral)

Reportagem - A mais antiga cirurgia de cérebro

O auto-trepanado Bart Huges


A palavra trepanação é uma das mais antigas cirúrgias do cérebro conhecida pelo homem, entretanto, a palavra não é muito conhecida pelo público em geral. A técnica consiste em fazer um furo no crânio para que o cérebro pulse na mesma batida do coração e fazer com que o cérebro tenha uma maior oxigenação.
Hoje em dia, ela é mais usada em casos de tumores e tratamentos de lesões no crânio e no tratamento de tumores. Através dela é diminuída a pressão intracraniana de uma pessoa que sofre, por exemplo, uma pancada forte na cabeça.
Há sinais de trepanação em cadáveres em todas as partes do mundo. Na Pré-Historia, muitas civilizações usavam essa prática para liberar os pacientes de maus espíritos, mas não tinha nenhum resultado prático. Neste período também havia a possibilidade da realização da trepanação para aliviar a pressão intracraniana, fazendo com que algumas pessoas sobrevivessem mesmo após sofrer fortes pancadas na cabeça. Segundo descobertas arqueológicas, alguns médicos utilizavam esse método para a aplicação de remédios no interior do crânio.
Em setembro de 2003, na ilha grega de Quio, arqueólogos gregos encontraram um túmulo datado de aproximadamente dois mil anos a.C. A surpresa aconteceu quando foi verificado que o homem possuía evidências de uma suposta trepanação.
Na Idade Média, a probabilidade de sobrevivência de alguém que praticava tal método era de 70%, mas depois a taxa caiu para aproximadamente zero, devido aos métodos, que normalmente furavam as meninges dos pacientes, causando uma hemorragia incontrolável. Isso resultou numa diminuição da prática da trepanação.
Através dessas técnicas primitivas, a trepanação pode ser realizada de duas maneiras. Uma forma de se praticar tal ato era fazer a abrasão do osso, ou seja, raspar a cabeça até abrir um buraco no crânio. A outra forma abrir o crânio com o uso de serras para fazer o “terceiro olho”.



Bart Huges: auto-trepanação

O holandês Bart Huges é um nome de bastante destaque na área da trepanação moderna. Ele se formou em medicina, mas não conseguiu passar nas provas para se especializar em psiquiatria. Após um tempo usando mescalina (uma espécie de alucinógeno), constatou que a sensação de consciência ocorria por causa do aumento do volume de sangue no cérebro.
De acordo com os estudos por ele apresentados, ao adquirir a postura ereta o ser humano teve alguns malefícios. O principal foi a redução, pela força da gravidade, de sangue no cérebro, importante na redução da consciência humana.
Huges foi o responsável pelo pensamento de que problemas presentes na sociedade como o estresse, a ansiedade e a depressão poderiam ser evitados caso a caixa craniana fosse expandida. Como solução para esse problema sugeriu o uso da trepanação.
O holandês acreditava que a época que o ser humano possuía uma maior consciência era a infância. Afirmava que, com o passar dos anos e com a carapaça óssea sendo formada, o cérebro passava a ficar enclausurado, impedindo assim que ele pulsasse ao mesmo ritmo do coração.
Ao realizar a trepanação, Huges pensava que poderia adquirir uma consciência mais plena. Chegou a essa conclusão após realizar uma auto–trepanação. A operação durou aproximadamente 45 minutos.



Curiosidades


- Em muitas culturas, a trepanação estava presente em rituais mágicos e religiosos como forma de trazer sorte;
- A placa de osso retirada do crânio servia como um amuleto. Muitos desses amuletos eram feitos com placas do crânio do inimigo;
- A trepanação é considerada antecessora das psicocirurgias, pois se originavam de doenças mentais;
- Em tribos africanas do norte e no Quênia, esse método é ainda muito utilizado para curar feridas de guerra localizadas na cabeça.
- Na Europa, até o Século 18, a trepanação era um procedimento médico comum;
- O Príncipe Philip de Orange foi trepanado 17 vezes pelo seu médico
- Vários médicos nos tempos romanos acreditavam que as placas de osso tiradas do crânio possuíam um valor terapêutico quando dissolvidas e misturadas com uma bebida dada especificamente para doentes portadores de diversas doenças. (J. C. Ortiz Júnior e Mayara Gasparoto Mendes)

domingo, 6 de maio de 2007

EDIÇÃO 8 - DE 6 A 13 DE MAIO

Editorial - “Nem tudo está tão ruim que não possa piorar”

No mundo do faz de conta, o mais importante é a fantasia, a magia e o encanto que envolve todos os personagens. Num misto de ternura e alegria as peripécias da história fixam os leitores que ficam instigados em saber como acaba; em que nesse final o bem sempre vence de uma maneira ou de outra.
Na vida real, onde tudo acontece de verdade e não tem como mudar uma situação: ou a encara ou se foge dela, a fantasia, a magia e o encanto saem de cena e dão lugar ao preconceito, a violência e a corrupção. Aqui (nesse mundinho de meros mortais) nem sempre, para não dizer nunca, o bem prevalece.
A madrasta da Branca de Neve é “substituída” pelo governo, que parece apreciar a miséria e a escassez em que vive seu povo. A maçã envenenada é a falta de oportunidade que é oferecida aos jovens recém-formados; é o desespero de uma mãe que segura seu filho doente nos braços na esperança de obter uma consulta médica no “eficientíssimo” SUS; é a ilusão de um idoso que trabalhou sua vida inteira e agora, quando pretende usufruir de um direito seu valorizando cada pingo de suor derrubado, enfrenta horas e horas de fila do INSS buscando sua aposentadoria.
“É... a vida não está fácil hoje em dia”. É a indagação de milhares de brasileiros. E “sou brasileiro e não desisto nunca”, dá um ânimo absurdamente inútil, como se isso valesse alguma coisa. E então, o brasileiro carregar um fundinho de esperança, pois nem tudo está tão ruim que não possa piorar.
É insubstituível o papel da própria Branca de Neve como sendo da sociedade. Em que ela, assim como a Branca de Neve, submete-se a “exploração”: pagamento de impostos, filas e filas em lugares que mais se tem necessidade, precária condição na educação... na vida.
Será que um dia a população obterá um “Felizes para sempre” assim como a Branca de Neve? Que em sua história “dormiu” após comer uma “maçã envenenada” e tudo continuava acontecendo a sua volta e ela de nada poderia fazer? Até que um dia acorda e vê que tudo pode ser mudado e resolvido? Querendo ou não, gostando ou não, o papel de Branca de Neve realmente cabe a sociedade como uma luva, pois ESTA é a sua realidade.
Quando será que ela vai despertar e fazer alguma coisa que garanta um futuro mais promissor para a vida de seus filhos, netos? Quando será que a paz esteja estampada na cara do Bush, na cara do Rio de Janeiro, na cara do mundo? Será que se tem peito de encarar tantas “bruxas más” que andam soltas por aí? Ou ficarão na ilusão do “Príncipe Encantado” vindo em prol da salvação? (Mariana Grossi)

Critica - Olha isso povo brasileiro

“Ó, pai, ó” mais um filme nacional que me deixa em dúvida pensando se sou ou não brasileira. Uma representação da cultura baiana com muito humor, festas ironias, e até mesmo tragédia.
O filme de Monique Gardenberg conta com atores de excelência nacional, como Wagner Moura, Stênio Garcia e o namoradinho do Brasil, Lázaro Ramos. A trama se passa em Salvador, Bahia, durante o último dia de carnaval. Cada personagem tem sua história separada, mas se entrelaçam a todo o momento, pois são vizinhos em um “cortiço” no Pelourinho e também porque aguardam o momento mais esperado: a última noite de carnaval. A sindica do local é o contrário de todos os outros moradores: uma senhora evangélica que odeia o carnaval.
O meu falso moralismo sulista não consegue me inserir na sociedade apresentada no filme. Um motorista de táxi casado e assanhado, que não perdoa nem um travesti; dois meninos que enganam a mãe falando que vão à igreja, mas na verdade saem na cidade aprontando várias malandragens com os turistas; uma mulher que tem uma clínica de aborto em sua casa; e a dona de um bar que dá em cima da própria afilhada são exemplos dos tipos retratados do filme.
Nesse quadro vejo a Bahia como um estado diferenciado pela forma que guarda sua cultura, mesmo, em alguns casos, sendo uma apropriação da indústria do turismo. O filme retrata como o povo baiano faz questão de nunca perder seus costumes. Um exemplo disso é a Baiana, que vende acarajé para sobreviver, a jogadora de búzios Raimunda tem em frente sua janela, uma placa “Jogo búzios, play búzios”, e o personagem representado por Stênio Garcia, Seu Jerônimo, que tem uma loja onde ele vende antiguidades.
Lázaro Ramos, representa Roque, um pintor metido a cantor. O filme mais parece um musical por conta desse personagem. Qualquer movimentação que acontece ao seu redor, ele solta sua voz desafinada e todos os outros personagens dançam a música dele. Principalmente Rosa, a morena sensual que chega do interior e tem relação sexual com Roque em público durante a festa de carnaval.
“Ó pai, ó”, é uma expressão baiana que quer dizer “olha isso”. Nenhum nome seria mais apropriado para o filme. Um “olha isso!”, para a população brasileira. Principalmente, pela experiência que tive no cinema quando fui assisti-lo.
Era domingo à noite, véspera de feriado e o cinema estava lotado. Na sessão das dez horas os filmes em cartaz eram, o nacional aqui citado, e o terror “b”, “A Colheita do Mal”. Claro que optei pelo nacional. Quando adentrei na sala, estava vazia. Dez minutos depois, quando começou o filme, também e 90 minutos depois, quando acabou o filme, somente eu saí da sala vazia.
Lázaro Ramos fez sucesso como Foguinho na novela mingau da Globo, mas não conseguiu competir com uma “Colheita do Mal” para apresentar suas tradições e a cultura de um povo, que apesar de diferente daquele visto aqui, no sul, faz parte do nosso povo brasileiro. (Lizandra Cortez Gomes)

Crítica: Revivendo o passado

Nunca me interessei tanto por um cantor ou cantora como está acontecendo agora. Podem pensar que isso é fase ou coisa parecida, ou talvez porque no mês de abril ela visitou o Brasil e fez um show com a Maria Rita, show este que eu queria ter ido, mas sou admirador do trabalho dela e dos compositores cantados por ela há muito tempo. Como os chilenos Violeta Parra e Victor Jara.
Lembro de ouvi-la cantando quando minha mãe colocava na vitrola o LP gravado pela Phillips, aqueles 33 rotações com chiado característico e ia terminar a arrumação da casa, enquanto eu brincava de carrinho pelos corredores, imaginando enormes rodovias tentava cantarolar as músicas em espanhol.
Talvez a argentina Mercedes Sosa que foi uma cantora de grande sucesso nos anos 70 e 80 em toda a América Latina já tenha saído da moda, mas nunca cairá em esquecimento. Pode parecer estranho uma pessoa de 21 anos gostar do estilo de música de Mercedes, mas algumas letras se encaixam perfeitamente ao meu estado de espírito.
Quando encontrei novamente as músicas, toda a memória perdida da minha infância foi ativada. As coisas boas que vivi, voltaram com todo a força. Coisas que nunca achei que voltaria a lembrar e reviver.
Aos domingos quando minha família ia almoçar na casa dos meus avós lembro-me de ver meu avô sempre colocando os discos pra tocar na hora em que todos estavam reunidos a mesa para uma refeição. Eu adorava sempre, pois as músicas eram seguidas de uma calorosa discussão política. E criança mesmo sem entender nada, adora essas falações.
Hoje não é nada difícil me pegar cantando uma musica interpretada por Mercedes enquanto dirijo ou faço coisas cotidianas. Sem falar da voz perfeita, as letras falando sobre política me fazem pensar em todo o contexto histórico, e em tudo que o povo latino americano passou com os regimes ditatoriais.
Semana passada fui fazer uma visitinha rápida nos sebos da cidade em busca de discos de vinil da Mercedes Sosa, não encontrei muita coisa em bom estado. Mas fã é fã, já deixei reservado dois LPs, assim que entrar um dinheirinho volto lá para compra-los.
Sem falar em um DVD gravado na Suíça em 1980, não passo nenhum dia sem assisti-lo. Meus visinhos não devem agüentar mais de tanto que escuto. Só o que posso fazer é me desculpar com eles e tentar diminuir um pouquinho, mais só um pouquinho o volume. (Rodrigo Pessin Chioderolli)

Fotolegenda - Não entre sem ser convidado


É uma maneira um tanto quanto direta, não só de afastar pessoas não desejadas, como de coloca-las em seu devido lugar. A mensagem escrita na porta é uma maneira cômoda de evitar tormentos. Só entre se for convidado, se não, fique por aí mesmo. Ou espere ser. Uma forma interessante de manter a ordem. Mas se nem assim você não conseguir manter a pessoa indesejada longe, existem outras alternativas. Pegue uma vela preta, um pedaço de papel com o nome dela escrito, uma panela de barro e um copo novo com água e sal dentro dele. Vá até uma encruzilhada e a acenda. Depois, coloque um pouco da terra do lugar dentro da panela de barro e junte a água e o sal. Peça para as ‘entidades’ que ali estão ficarem com a pessoa indesejada para que nunca mais ela perturbe você. Mas não se esqueça de, quando chegar em casa, lavar os pés com água e sal. Outra maneira de se livrar de alguém indesejável é, procurar um local de terreno arenoso ou fofo e escrever o nome do ‘indesejado’. Depois derrame um litro de água do mar sobre o nome até que o mesmo suma por completo. Enquanto você apaga o nome, diga: "Eu apago esse nome da minha visão e peço ao destino que afaste (diga o nome) da minha vida, para que ele (ou ela) possa ser feliz ao lado de outra pessoa”. Ambas são formas populares de se afastar o indesejado. Mas, pensando bem, uma plaqueta na porta com esses dizeres com certeza facilita muito a vida social. (Natuza de Oliveira)