domingo, 3 de junho de 2007

Crônica - A primeira vez de Cory Lee

Cory Lee tem 17 anos, é estudante, usa óculos de lentes redondas, mini-saias pretas, meias listradas 5/8 coloridas, cinto de couro com rebite, camisa branca estilo anos 20 com mangas bufantes, alguns acessórios pendurados aleatoriamente pelo corpo dependendo do humor e da pressa. Garota inteligente, engraçada, amiga, descontraída, curiosa, um tanto neurótica e um pouco insegura. Tem um namorado da mesma idade, o Vítor.
Um belo dia de sol, poucas nuvens e passarinhos a cantar eis que surgem as fofocas no banheiro do colégio na hora do intervalo. Me refiro a conversas comuns entre garotas comuns de 16 anos.“O Eduardo me leva as alturas”, “meu namorado é um deus na cama”, “agora ele está usando camisinha comestível”, “transei com o carinha da balada”. E Cory Lee pensava “Meu deus como essas meninas estão adiantadas!”.
Vamos nos aprofundar um pouco mais na vida de Cory, e seu relacionamento com Vitor. Namoravam havia um ano e cinco meses, nada além de beijos e amassos. Não porque não quisessem, mas Vítor era tímido demais para demonstrar algum desejo e Cory era insegura e medrosa. O namoro era bastante sólido, com altos e baixos, mas sem brigas.
Cory confiava em Vítor, sabia colocar camisinhas em bananas graças à professora de biologia, freqüentava um ginecologista desde sua primeira menstruação, conversava com sua mãe a respeito de gravidez e anticoncepcionais. Não sentia pressão das amigas pelo fato de ser a única virgem (assumida) da sala. Sua maior preocupação: será que vai doer? É, este é o maior e, aparentemente, único medo das moças dessa geração. Mas não queria perguntar isso à mãe e muito menos ao médico de 77 anos.
Então Cory, super desencanada da vida, pede ajuda a tia Rita (aquela desbocada que sempre dá bafão na confraternização de Natal/Ano Novo. Todo mundo tem uma tia dessas). Conselhos da tia: “você só sente dor se ficar tensa, relaxa. Não vá com expectativas demais, o que conta é a excitação e muito carinho nas preliminares”. E o hímen? “Rompe e você nem sente. Relaxa minha filha, se essa é a sua única preocupação trate de despreocupar-se. Camisinha na mão e vá ser feliz.”No mesmo dia Cory marcou um cinema com o namorado. Dali seguiram para o apartamento que ele divide com um amigo. Cory era uma garota insegura, mas, também, muito impulsiva. (Renata Zibetti)

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